A Polícia Militar do Estado de São Paulo aposentou o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, preso sob suspeita de matar a esposa, a policial militar Gisele Alves Santana. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado nesta quinta-feira (2) e prevê o pagamento integral do salário do oficial como pensão. Segundo dados do Portal da Transparência, o militar recebia remuneração de R$ 30.861,87, valor superior ao salário da vítima, que era de R$ 7.222,33 mensais.
O caso ocorreu em fevereiro deste ano, em um apartamento no bairro do Brás, região central de São Paulo. Inicialmente tratado como suicídio, o episódio passou a ser investigado como feminicídio após inconsistências na versão apresentada pelo oficial, que segue sustentando que a esposa teria tirado a própria vida.
A prisão preventiva de Geraldo Neto foi decretada após laudos periciais descartarem a hipótese de suicídio. Ele foi detido no dia 18 de março, em um condomínio de São José dos Campos, no interior paulista, cerca de um mês após a morte da policial.
As investigações também apontaram que o tenente-coronel teria apagado mensagens trocadas com a esposa antes do crime. A perícia conseguiu recuperar os diálogos, que indicam que a vítima concordava com a separação, contrariando a versão apresentada pelo suspeito.
De acordo com a Polícia Civil, a dinâmica do disparo, que atingiu a cabeça da vítima, não é compatível com a hipótese de suicídio. Gisele chegou a ser socorrida e levada ao Hospital das Clínicas, mas não resistiu aos ferimentos.
A aposentadoria do oficial ocorre na mesma semana em que a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo informou a abertura de procedimento para avaliar a possível exclusão dele da corporação.