Fechar
Colunista Brunno Suênio
Jornalista do GP1
GP1

Mentor de assalto a lotérica em Valença do Piauí é condenado a quase 12 anos de prisão

A decisão foi dada no dia 13 de julho de 2026, pelo juiz Caio Cézar Carvalho de Araújo.

Quase cinco anos após o assalto registrado em Valença do Piauí, a Justiça condenou dois homens apontados como responsáveis pelo planejamento e apoio logístico ao roubo de R$ 26 mil de uma casa lotérica da cidade. O principal articulador do crime, Antony Felipe dos Santos Oliveira, recebeu pena de 11 anos e 8 meses de reclusão, enquanto Ivis Ellan Lucas Pereira da Silva foi condenado a 9 anos e 2 meses de prisão. Ambos iniciarão o cumprimento da pena em regime fechado.

A decisão foi dada no dia 13 de julho de 2026, pelo juiz Caio Cézar Carvalho de Araújo.

O crime ocorreu em 8 de novembro de 2021, quando três homens armados interceptaram o administrador da Lotérica Valença nas proximidades da agência da Caixa Econômica Federal. A vítima transportava um malote com R$ 26 mil, que foi levado pelos criminosos. Durante a ação, um policial militar que acompanhava o empresário também foi rendido e teve sua pistola calibre .40 roubada.

Crime premeditado

Na sentença, o juiz destacou que Antony Felipe não participou diretamente da abordagem às vítimas, mas foi apontado como o mentor intelectual da ação criminosa. Segundo a investigação, ele recrutou os executores em Teresina, organizou a logística do grupo e repassou informações sobre a rotina da vítima.

Mensagens extraídas do Instagram foram decisivas para a condenação. Em uma delas, Antony escreveu "Bora assaltar um banco" e, após o crime, comemorou o resultado com a frase "Deu certo kkkkk", acompanhada de um vídeo da ação. As conversas também indicam que ele aguardava o repasse de parte do dinheiro obtido com o roubo.

Casa serviu de apoio aos executores

Já Ivis Ellan foi condenado por fornecer o suporte necessário para a execução do crime. Conforme a decisão, ele hospedou os assaltantes vindos de Teresina e ofereceu apoio logístico antes da ação, permitindo que o grupo permanecesse em Valença até a execução do roubo.

A Justiça entendeu que a participação de ambos foi essencial para o sucesso da empreitada criminosa, rejeitando os pedidos de absolvição apresentados pelas defesas.

Pena em regime fechado

Na dosimetria, o magistrado considerou como circunstâncias desfavoráveis o planejamento da ação, o transporte de valores, o concurso de pessoas e a gravidade das consequências do crime, especialmente pela subtração da arma funcional de um policial militar.

Com isso, Antony Felipe foi condenado a 11 anos e 8 meses de prisão, além de 420 dias-multa, enquanto Ivis Ellan recebeu pena de 9 anos e 2 meses de reclusão e 311 dias-multa, podendo, ambos responderem ao processo em liberdade.

Rapidinhas

Já está preso

Apontado pela Justiça como mentor intelectual do assalto à Casa Lotérica de Valença, Antony Felipe dos Santos Oliveira já está recolhido ao sistema prisional. Atualmente, ele cumpre pena por tráfico de drogas em uma penitenciária do Piauí.

Foto: Divulgação/PM-PIAntony Felipe dos Santos Oliveira
Antony Felipe dos Santos Oliveira

Ficha criminal

Além da nova condenação pelo roubo à lotérica, Antony Felipe já havia sido condenado em outro processo por tráfico de drogas. A condenação anterior, inclusive, foi considerada pela Justiça para reconhecer seus maus antecedentes na dosimetria da pena.

Herança do crime

O histórico criminal, segundo levantamento feito pela Coluna, atravessa gerações da família. O avô materno de Antony atuou como capanga do ex-coronel Correia Lima, enquanto o pai do condenado também já cumpriu pena. As informações, embora não tenham influência na condenação pelo assalto, reforçam o histórico familiar ligado à criminalidade.

Saída recente da prisão

O delegado Bruno Ursulino, do DHPP, revelou que David Kauã Gomes da Silva, executado nessa quarta-feira (15), na frente da família, na Vila Nailândia, zona sudeste de Teresina, havia deixado o sistema prisional há pouco tempo. O jovem, de 23 anos, cumpria pena por roubo majorado e também possuía outras passagens por crimes contra o patrimônio.

Foto: Lucas Dias/GP1Delegado Bruno Ursulino
Delegado Bruno Ursulino

Segundo o delegado, David já era conhecido das forças de segurança. Agora, a Polícia Civil busca entender qual era sua atuação antes de ser assassinado e se ele mantinha ligação com alguma organização criminosa ou vinha sofrendo ameaças nos últimos dias.

Execução planejada

As primeiras informações apontam que criminosos chegaram ao local em motocicletas e abriram fogo contra a vítima. Para Bruno Ursulino, a dinâmica do crime indica uma execução, já que os suspeitos efetuaram diversos disparos com a intenção clara de matar David Kauã.

Facção ainda é hipótese

Questionado sobre uma possível disputa entre facções, o delegado afirmou que essa linha de investigação não está descartada, mas ressaltou que ainda é cedo para apontar a motivação do homicídio. Segundo ele, embora esse tipo de crime frequentemente esteja relacionado ao conflito entre organizações criminosas, investigações recentes já revelaram motivações diferentes.

Levantamento em andamento

A equipe do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realiza diligências para reconstruir os últimos passos da vítima. Familiares, amigos e pessoas próximas deverão ser ouvidos para esclarecer se David exercia alguma função dentro do crime organizado ou se havia sido alvo de ameaças antes de ser executado.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

Ver todos os comentários   | 0 |

Facebook
 
© 2007-2026 GP1 - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do GP1.