A Polícia Federal indiciou o comerciante Francisco das Chagas Sampaio por lavagem de dinheiro, durante uma ação ocorrida no âmbito da Operação Escudo Eleitoral III, que resultou na apreensão da quantia em dinheiro no valor de R$ 270.434,00 que, segundo a PF, é proveniente de esquemas voltados para o financiamento de organização criminosa.
A prisão ocorreu no dia 29 de janeiro de 2026, durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão no estabelecimento comercial “Chico da Quitanda”. Após diligências no local, que teve como alvo seu filho, contra o qual havia um mandado de busca e apreensão, os policiais encontraram uma grande quantidade de dinheiro escondida em caixas dentro de um depósito, localizado no comércio de Francisco das Chagas Sampaio.
Segundo apontou a investigação da PF, os valores apreendidos (R$ 270.434,00) configuram possível prática de lavagem de dinheiro, conforme previsto na Lei nº 9.613/1998.
Durante interrogatório, o investigado afirmou ser proprietário do comércio e declarou possuir outras fontes de renda, como a exploração de mesas de sinuca em cidades da região, incluindo Piracuruca, São José do Divino, Brasileira, Caraúbas, Caxingó e Piripiri, além de rendimentos provenientes de aluguéis de imóveis.
Questionado sobre a origem e a forma de armazenamento do dinheiro, Francisco afirmou que os valores seriam oriundos de suas atividades comerciais e estavam guardados há mais de seis meses. Ele admitiu que manteve o montante em espécie e não o depositou em instituição bancária para evitar declaração.
O investigado também declarou não ter conhecimento de envolvimento do filho com facções criminosas, embora tenha reconhecido que ele já foi preso anteriormente por participação em crimes. Em seu depoimento, o comerciante afirmou possuir anotações sobre entradas e saídas financeiras, mas sem detalhamento que comprovasse a origem específica dos valores apreendidos.
Entenda o caso
A Polícia Federal no Piauí apreendeu mais de R$ 270 mil em dinheiro em espécie, que estava em um comércio, durante a terceira fase da Operação Escudo Eleitoral, que teve como objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de atuar em crimes eleitorais no contexto das Eleições Municipais de 2024.
Além das medidas de busca e apreensão, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou o afastamento do cargo da vereadora de Piracuruca, Adriana Fontenele, conhecida como Adriana Enfermeira (PT), e da então servidora da Assembleia Legislativa do Piauí, Maria Thamyres.
Segundo a investigação da PF, Alexandro, apontado como liderança do tráfico de drogas na região e integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), teria utilizado dinheiro da facção para bancar a campanha da irmã, Adriana, e viabilizar a indicação de sua filha, Tamyres, para um cargo na Casa Legislativa.
Para a Polícia Federal, o dinheiro apreendido é oriundo do esquema criminoso que financia a facção na região e estava acondicionado, justamente, no mesmo endereço no qual Alexandre que foi alvo de busca e apreensão, na ocasião da terceira fase da Operação Escudo Eleitoral.
Investigação
As apurações tiveram início em novembro de 2025, a partir do compartilhamento de informações oriundas de uma investigação criminal anterior. Os dados indicaram uma possível ligação entre integrantes do PCC e o financiamento eleitoral, hipótese que passou a ser aprofundada no âmbito da Polícia Federal.
De acordo com a investigação, há indícios da utilização de recursos de origem criminosa para o financiamento de campanhas eleitorais, além de práticas ilícitas voltadas à obtenção de votos, como a dissimulação da origem de valores e bens empregados durante o processo eleitoral.
Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, captação ilícita de sufrágio (compra de votos), falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro. As investigações seguem em andamento, e novas medidas não estão descartadas após a análise do material apreendido.
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