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O outro Brasil real


O deputado federal Ricardo Berzoini (PT-SP), em artigo "Os avanços do governo Lula e 2010", publicado no jornal Campograndenews, em 04/01/2010, como não poderia deixar de ser, vem tecer rasgados elogios à atuação do governo federal, retratando de forma de campanha política um País que não é o verdadeiro Brasil, com os seus graves problemas sociais ainda não resolvidos, que a comunidade internacional não conhece.

- O País dos políticos e presidente da República dos cartões corporativos; o País das benesses públicas;
- O País da burocracia cartorial em sentido amplo;
- O País da falta de segurança pública ao brasileiro e seus bens;
- O País do território livre dos traficantes;
- O País da subvenção pública aos movimentos dos sem terra (MST) para promoverem invasões de propriedades alheias e prédios públicos;
- O País da não realização da prometida reforma agrária;
- O País do bolsa esmola (Bolsa Família) como programa social para angariar votos de incautos sem cultura política que são obrigados a votar (constitucionalmente) em troca de favores e promessas de fajutos políticos;
- O País do empréstimo consignado ao pobre aposentado previdenciário, que não pode se sustentar com o que ganha e se atola em dívidas impagáveis até a morte, e que faz a alegria dos banqueiros, que estão rindo à toa com a fonte de renda caída do céu proporcionada pelo papai Lula;
- O País dos tribunais (políticos) que não sentenciam os parlamentares corruptos do mensalão do Congresso;
- O País das bondosas aposentadorias perenes do Lula (e de outros presidentes espertalhões), bem como dos arranjos imorais propiciando benefício de isenção de Imposto de Renda a anistiados, ratificado pelo presidente Lula através do Decreto nº 4897, publicado no Diário Oficial de 26 de novembro de 2003, o que pressupõe legislar em causa própria, configurando falta grave sujeita à perda do cargo;
- O País do inchado e inoperante Congresso Nacional com 81 senadores e 513 deputados, que gasta por ano com cada um dos parlamentares, respectivamente, cerca de R$ 33,1 e 6,6 milhões, cujo dinheiro seria mais bem empregado se fosse aplicado no social;
- O País das mordomias do Planalto com gastos astronômicos incompatíveis com uma Nação (pobre) que ainda não resolveu os seus graves problemas sociais;
- O País do loteamento dos serviços públicos pela "companheirada" do PT, que o diga, por exemplo, a Petrobras - infestada de pelegos incompetentes - vivendo da sinecura pública, paga com impostos dos brasileiros;
- O País dos milhões de descamisados e miseráveis cidadãos sem teto, sem emprego, sem perspectivas e sem nada, sobrevivendo nas ruas da amargura das praças públicas ou sob viadutos ou calçadas dos prédios em todas as cidades brasileiras, que a cada dia aumenta mais;
- O País de contingente de desempregado vivendo na informalidade ou em outras atividades criminosas por falta de oportunidades;
- O País da falta de um sistema público de saúde com dignidade humana em que na maioria das vezes o paciente morre na fila por não poder ser atendido;
- O País da alta carga tributária sem contrapartida em serviços públicos de qualidade;
- O País das manobras capciosas governamentais que aliciaram o STF a taxar os proventos de aposentadorias e pensionistas do serviço público federal enquanto o presidente Lula é isento de Imposto de Renda por aposentadoria de anistiado (Decreto nº 4897);
- O País cujo presidente da República trata das mordomias que terá ao final do mandato ao assinar o Decreto nº 6381, de 27 de fevereiro de 2008;

- O País que nega reajuste salarial aos aposentados e pensionistas do INSS condizente ao menos com o valor do Salário Mínimo, e que não enterra o Fator Previdenciário sob a velha ladainha de que a Previdência é deficitária, mas que jamais o governo apresentou um laudo técnico do TCU atestando a sua real situação, ou teve a coragem de cobrar os potenciais devedores da Previdência Social;

- O País de brasileiros ainda vivendo abaixo da linha de pobreza, como o Estado do Maranhão do clã Sarney e hoje grande amigo do presidente Lula, que o livrou de cassação recente no Conselho de Ética (comprado) do Senado Federal;

- O País cujo governo aproveita o dinheiro público para pagar sua eterna propaganda política, desde o primeiro dia de sua gestão;

- O País da forma espúria de governar através de medidas provisórias;

- O País da intromissão do PT (ver Plano Nacional de Direitos Humanos, já com vários rachas no governo) em segmentos da vida nacional e na livre liberdade de manifestação da imprensa brasileira, pois se não fosse ela, no seu trabalho investigativo de bem informar, a maioria das falcatruas políticas e do governo não seria de conhecimento da sociedade;

- O País de escolas públicas de baixa qualidade cujos professores são mal remunerados, enquanto qualquer servidor do Planalto, sem qualificação, ganha muito mais;

- O País da corporação de dirigentes sindicalistas ou ex-sindicalistas (políticos), que só querem tirar vantagem;

- O País de sindicalistas, funcionários, por exemplo, do Banco do Brasil, como a governadora do Pará, Ana Júlia Carepa, Ricardo Berzoini etc., que vivem de politicagem, não dão um pingo de suor ao Banco, e os seus colegas é que se esborracham diariamente para sustentar a instituição, e depois esses políticos oportunistas e de ocasião vão se aposentar pelo Banco com os seus vencimentos integrais.

 

É preciso dizer mais? E eu ia me esquecendo, alguém já dissera: "a esquerda romântica de lá (estrangeira) acha lindo um operário de terceiro mundo ter virado presidente. Se ele é competente ou não, o terceiro mundo que se dane. Ele recebe essa corda toda e acredita". E foi assim que o sindicalista e ex-presidente da Polônia, Lech Walesa, foi inicialmente aclamado.

Não se discute a capacidade do governo para enganar incautos, inclusive governantes estrangeiros. Só que eles não conhecem o verdadeiro Brasil real da periferia, dos cortiços, das malocas, das habitações em palafitas etc. Ademais, nenhum político é mágico para transforma metais em ouro. Talvez o ex-sindicalista Lula tenha aprendido a fórmula da pedra filosofal a ponto de pensar que sabe convencer debochados mandatários estrangeiros: "Oh! Você é o cara". E como muitos já foram algum dia glorificados, chegou a vez do Robin Hood brasileiro.

Mas a comunidade estrangeira sabe que as reservas monetárias brasileiras não foram constituídas somente neste governo? E por mais que o Lula não reconheça, deveria reverenciar o espólio de uma economia controlada deixado por FHC, que serviu de pavimento para sua caminhada inicial. Por outro lado, o Lula deveria cuidar mais de seu governo e deixar de alfinetar os seus antecessores. Ou ele pensa que descobriu o Brasil a partir de seu primeiro mandato, e tudo construiu em apenas oito anos?

Quer ser pai até da Petrobras, mas não pode, e por isso chora para ter o seu nome cunhado na pedra do pré-sal. Teve a sorte de ter pegado o País com um plano econômico estabilizado, e seu único mérito foi ter dado continuidade a ele, e agora quer sair jogando pedra no telhado dos outros e desfrutar sozinho as glórias que também pertencem aos governantes anteriores. É ter muito topete para ser cara de pau.

O bravateiro de sempre, com a burra cheia de grana, em vez de ter aplicado logo no social, resolveu dosar o dinheiro para poder pagar a sua viciada propaganda política, e para fazer proselitismo como o fez, recentemente, no Maranhão do amigo Sarney, ao dizer que iria tirar o brasileiro da merda - depois de oito anos de governo -, com investimento em saneamento básico. E no Rio de Janeiro, do lambe-botas Sérgio Cabral, também visando dividendo políticos para a sua candidata Dilma Rousseff, o presidente Lula foi gargantear que o Rio não vai ser mais notícia pelo crime. Vamos pagar pra ver...

*Julio César Cardoso, bacharel em Direito e servidor federal aposentado

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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