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Arruda ainda respira


Uma vergonha o que se passa no governo distrital. Isso é o reflexo da improbidade política que tomou conta do País. O voto obrigatório, uma incoerência constitucional - podem até discordar - tem levado ao Parlamento elementos inescrupulosos, imorais, com fichas sujas etc. É o voto (obrigatório) trocado por qualquer promessa de candidatos oportunistas que sabem cooptar ingênuos e incultos cidadãos pobres brasileiros.

Onde já se viu numa democracia - Estado Democrático de Direito - ser obrigado a votar? Democracia pressupõe liberdade de manifestação de escolha de cada um, ou a livre disposição que cada cidadão deveria ter para manifestar a sua disposição de querer votar ou não. Só para citar exemplo, veja o sentimento democrático do povo americano, que não precisa ser obrigado constitucionalmente a exercer as suas prerrogativas de cidadania, no entanto, comparece espontaneamente às eleições. O voto optativo é o voto de qualidade, de responsabilidade. O voto obrigatório é o voto responsável pela qualidade negativa de nosso Parlamento. Por isso muitos políticos não desejam a sua revogação ou alteração, para não perderem, com todo respeito, a boquinha do cabide de emprego ou outros interesses inconfessáveis.

O governador Arruda é o exemplo mais promíscuo do viciado sistema político nacional. Num País sério, quando ele mentiu deslavadamente no episódio do Senado Federal, o que corrobora que ele perjurou ao tomar posse naquela Casa, deveria ser banido da política brasileira. E o resultado está aí estampado para todos os brasileiros verem.

E agora, mais uma vergonha a decisão do deputado Alírio Neto, que queria enterra a CPI para proteger o governador distrital, que felizmente foi abortada pelo juiz Vinícius Santos da 7ª Vara da Fazenda do Tribunal de Justiça do Distrito Federal ao rebater que "Não pode uma das partes, utilizando-se de manobras indevidas, criar, a seu bel prazer, uma segunda decisão que atenda a seus interesses".

Esses parlamentares (com raras exceções) só têm maracutaia na cabeça. E não perdem a oportunidade para fazer prosperar a safadeza. Como não têm integridade moral, e em defesa de seus pares também imorais, questionam decisão judicial e partem para encerrar Comissão de Inquérito. Foi o que fez o deputado Alírio Neto, presidente da comissão. Esse é o retrato preto e branco, desbotado e encardido, da imagem parlamentar brasileira. A população tem que entender que não deve reeleger ninguém porque mandato político não é profissão, e o Parlamento precisa ser renovado. Fazer uma boa escolha de gente qualificada e com ficha limpa é um dever de cada cidadão.

*Julio César Cardoso bacharel em Direito e servidor federal aposentado
 

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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