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Picos: Liberdade de imprensa, cidadania e justiça!


Imagem: Divulgação / GP1Douglas Nunes critica atitude do prefeito Gil Paraibano(Imagem:Divulgação / GP1)Douglas Nunes critica atitude do prefeito Gil Paraibano

Por Douglas Nunes*

Não poderia deixar de comentar o processo do qual o prefeito municipal de Picos, Gil Paraibano move contra o jornalista José Maria de Barros. Eu já tinha conhecimento disso, mas aguardava o remate final, por considerar grotesca tal atitude uma vez que o fato realmente se deu, ou seja, a prisão do prefeito ocorrido em 22 de abril de 2011. O caso faz lembrar a Nota de Repúdio promovida pelo presidente da Câmara Municipal de Picos Iata Anderson que na oportunidade, os vereadores aprovaram, por maioria absoluta, na sessão de 11 de fevereiro de 2011, requerimento verbal com voto de repúdio contra o jornalista José Maria de Sousa Barros, repórter do Jornal de Picos e correspondente do portal GP1, na região Centro Sul do Piauí, acusado de fazer críticas a gestão ao presidente da casa Iata Anderson. Aliás, essa nota foi mais que grotesca...

Como se vê, esse acossamento contra o repórter não é de hoje, desencadeia-se uma perseguição implacável ao jornalista, pela via da ação penal, colidindo, assim, com a previsão constitucional da manifestação livre do pensamento e, principalmente, da liberdade de imprensa.

No entanto, os autores desse processo ainda não acordaram para a realidade. Esse processo não é somente contra o jornalista Zé Maria, mas contra toda a sociedade livre, contra a cidadania, contra a liberdade de se manifestar, contra a democracia! De forma que a vitória judicial não será apenas do jornalista, mas de todos que esperam dos detentores de funções públicas que as exerçam com a eficiência e o zelo exigidos por nosso ordenamento jurídico.
É muito importante lembrar que os juízes, os promotores, advogados e delegados não são “deuses”, como lamentavelmente pensam os que integram o lado contaminado da política. Não fazem favores, são servidores públicos, pagos pela coletividade para trabalharem pelo interesse coletivo e não para perseguir quem, eventualmente, os criticam por alguma omissão. Sendo que neste caso, não houve crítica, mas sim a publicação de um fato, de uma ocorrência em que envolveu o prefeito municipal, preso e conduzido por uma autoridade policial. Não diz Lei no art 5º da Constituição Federal que todos são iguais perante a lei sem distinção de qualquer natureza?

Quem conhece José Maria de Barros, o popular “jornalista Zé Maria”, sabe que ele é um pessoa que não se desvirtua de seu trabalho, de seu ofício; noticia a verdade sem denegrir ou atingir as pessoas, seja ela alguém do povo ou um religioso, comerciante ou político, seja quem for, é assim que deve ser.

Como é que podemos ter uma política forte se os políticos tentam calar a boca da imprensa, usando a Justiça para isso? Os tempos em que a imprensa era vetada, subjugada e suprimida pela força bruta, passou, acabou, não existe mais isso. Há sim a Lei, mas a lei não pode condenar um fato verídico... Em que se baseia o prefeito? Que a notícia foi de sua prisão? Ora, mas isso se deu! Foi notório!

Vivemos hoje um novo tempo onde o jornalismo sério e compromissado com o grande público, deve continuar firme no propósito de informar sem se deixar intimidar. Dizem que a justiça é cega, mas o povo consegue ver a injustiça que agora está sendo imposta contra esse cidadão, esse jornalista que nada faz a não ser noticiar. Expressar a verdade; que isso fique patente.

Tem muitos alcaides que fascinam num primeiro momento, pode até encher os olhos de muitos sectários... Mas logo se revelam e demonstram autoridade acima do que pareciam ser. Coragem e confiança sem dúvida é preciso, para não se deixar intimidar por eles.

*Douglas Nunes – poeta, escritor, formado em Administração de Empresa – Membro da União Picoense de Escritores
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*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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