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Discurso diverge da realidade eleitoral


Por Deusval Lacerda de Moraes *

Imagem: GP1Clique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes(Imagem:Reprodução)Deusval Lacerda de Moraes
Os teresinenses enjoaram a verborragia discursiva no segundo turno de Teresina do candidato tucano e chalaças que reiteraram em demasia que em torno da candidatura Elmano girava um “BLOCÃO” de partidos políticos que representava os ricos e os poderosos, quando na verdade se uniram ao redor dele várias agremiações partidárias que defendiam quem realmente trabalha. O interessante é que o candidato Firmino queria o apoio desses políticos que saíram da disputa no primeiro turno, mas com a impossibilidade de se alinharem ao seu projeto ficou pescando da nova aliança alguns rebeldes sem causa sem a menor cerimônia das suas origens partidárias.

Percebeu-se com isso que na política brasileira, quase sem exceção, é-se capaz de tudo para alcançar o resultado eleitoral. Mesmo publicamente cair-se na contradição do palavrório falacioso, pois saber-se que o que se está dizendo é apenas para surtir impacto em determinadas pessoas ou grupo de pessoas para lograr êxito eleitoreiro, sem qualquer preocupação com a veracidade dos fatos, é o fim dos tempos. Assim, o discurso diferiu totalmente da realidade eleitoral quando propalaram sem qualquer constrangimento que Elmano era o candidato dos ricos e disse ainda eufórico com a vitória no discurso do triunfo que derrotou os poderosos.

Menos a verdade, pois pelo que se pode desumir do resultado eleitoral do segundo turno das eleições de Teresina divulgado pela Justiça Eleitoral do Piauí na distribuição dos votos nominais dados aos dois candidatos nas cinco zonas eleitorais de Teresina se tem a absoluta certeza de que o verdadeiro representante dos ricos e dos poderosos foi o candidato eleito Firmino, que obteve expressiva votação nas regiões mais abastadas da cidade, como já era previsto pela origem intelectual-burguesa do PSDB e do elitismo do seu quadro partidário. Dito isso, o discurso tucano foi apenas peça de retórica para confundir sobre quem na realidade representa em Teresina.

Todos sabem que o candidato Firmino foi bem nascido e que seu pai era dono da fábrica MAPIL e do FRIPISA e é mestre em economia nos Estados Unidos da América. O tucano nasceu no centro de Teresina, onde os ricos e poderosos da sua época nasciam e hoje reside na zona leste da Capital onde os ricos e poderosos da atualidade passaram a morar fugindo do burburinho do centro de Teresina. Pois bem. Foi definida a eleição do tucano exatamente nos eleitores das duas zonas socioeconômicas mais tradicionais de Teresina, ou melhor, nas zonas centro e leste (onde nasceu e mora) e que estão enraizadas as classes média alta, rica e poderosa da cidade.

Com base nos dados da Justiça Eleitoral, pode-se ver que no segundo turno das eleições de Teresina foram computados 412.803 votos válidos. Destes, o candidato tucano obteve 212.741 votos e o candidato petebista recebeu 200.062 votos, sendo a diferença favorável ao candidato eleito de 12.679 votos. Ocorreu que a referida votação foi distribuída da seguinte forma: na zona norte (Zona 0001-JE) votou 108.113 eleitores, no centro (Zona 0002-JE) votou 64.404 eleitores, na zona sul (Zona 0097-JE) votou 89.314 eleitores, na zona sudeste ou grande Dirceu (Zona 0063-JE) votou 75.339 eleitores e na zona leste (Zona 0098-JE) votou 75.6633 eleitores.

Confrontadas as votações zonais, o trabalhista Elmano só ganhou numa das zonas mais pobres de Teresina, a zona norte, e a mais votada com 108.113 eleitores, obtendo o petebista 55.012 votos e o tucano 53.101 votos, com diferença a favor do Elmano de 1.911 votos. Na zona sul, o Firmino ganhou com maioria de 2.312 votos, sendo a predominância da sua votação na classe média e a do Elmano na classe menos favorecida da chamada região extremo-sul. No grande Dirceu, ou região sudeste, o fenômeno foi o mesmo da zona sul, quanto mais eleitor das áreas centrais a maioria do Firmino aumentava e quanto mais periférico maior vantagem para Elmano, que no final deu diferença para o tucano de 3.651 votos. Aí sacramentou a vitória exatamente nas classes média e média alta, nos ricos e poderosos com maioria da zona centro de Teresina para o tucano de 4.694 votos (zona menos votada com 64.404 eleitores) e da zona leste com maioria de 3.933 votos (segunda menos votada) que totalizou a maioria tucana de 8.627 votos. Conclusão: bem nascido, remediado, rico e poderoso sabem muito bem com quem se identifica, o resto é conversa fiada.

* Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito

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