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Discurso diverge da realidade eleitoral (III)


Deusval Lacerda de Moraes *

Imagem: GP1Clique para ampliarDeusval Lacerda de Moraes (Imagem:Reprodução)Deusval Lacerda de Moraes
O jornalista Mussoline Guedes, atualmente interino da Coluna Zózimo Tavares do Jornal Diário do Povo, na edição de 13 de novembro de 2012 foi feliz no seu comentário intitulado “O desafio de Firmino”. Segundo o colunista, o prefeito Firmino Filho (PSDB) estranhou quando, durante entrevista ao DIÁRIO DO POVO, lhe perguntaram se ele, vencendo a eleição com uma diferença de módicos 12 mil votos, não achava que era hora de o PSDB se reinventar, avançar no seu propalado “modelo de gestão”.

Firmino respondeu: “A pergunta reflete uma leitura equivocada do resultado das eleições, eu não venci com 12 mil votos de diferença; eu tive mais de 212 mil votos. É uma prova de que o jeito de administrar do PSDB foi aprovado pela população”.

Na resposta do prefeito eleito há várias incorreções. Em primeiro lugar, a pergunta não refletiu uma leitura equivocada do resultado das eleições de Teresina, uma vez que o resultado oficial do segundo turno foi de 12.679 votos de diferença, num universo de 412.803 votantes, portanto havendo certo vedetismo no argumento tucano. Na pergunta também não houve chiste, em razão da maioria apertada que resultou em vantagem de restritos 3% dos votos, que enfocando somente os números dos eleitores da sobra de votos denota mesmo vitória renhida, suada, daquelas que levam a crer que o vitorioso sofreu para ganhar.

Segundo, ele disse que não venceu com 12 mil votos de diferença. Então, qual foi mesmo a diferença? Foi de 12.679 votos. Pois se não passou da casa dos 12 mil votos a pergunta foi lógica, escorreita, restando que a diferença foi a da entrevista do candidato eleito. Acontece que os tucanos não contavam com o fortalecimento eleitoral do candidato Elmano, por subestimá-lo, como sempre fizeram nas eleições anteriores que venceram com facilidade.
Mas desta vez foi diferente, falou mais alto o viés trabalho.

A única assertiva na resposta do tucano foi a que disse que teve mais 212 mil votos. Mesmo assim 212.741 votos, ou seja, somente 741 votos acima dos 212 mil dos totalizados em seu nome no segundo turno. Não obstante, o concorrente trabalhista obteve também no mesmo turno 200.062 votos, que não deveriam ser desconsiderados por ter sido a maior votação até agora recebida por quem não logrou êxito no pleito eleitoral de Teresina.

Prosseguindo ainda na resposta do Firmino, ele concluiu: “É uma prova de que o jeito de administrar do PSDB foi aprovado pela população”. A nosso ver, a conclusão é falha, por estar arrimada em premissas imperfeitas. Se numa premissa ele disse que não venceu com 12 mil votos de diferença, quando foi de 12.679 votos, e na outra disse que obteve mais de 212 mil votos, que foi 212.741 votos, e sem levar em conta os mais de 200 mil votos do adversário, é preciosismo concluir que o modelo de gestão tucano foi rigorosamente aprovado pela população. O modelo possivelmente estaria aprovado pela população se a eleição não fosse tão disputada, assim deixando dúvidas no eleitor, se reconhecesse que a maioria foi pequena e se considerasse que o adversário recebeu expressiva votação na campanha eleitoral.

Mas nada disso admitiu. E com base no silogismo referenciado, fica evidente que faltou humildade na resposta do tucano eleito. Não reconheceu o aperreio que passou e citou os seus votos omitindo os votos do petebista, como se ele não tivesse existido. Ainda disse convictamente que o jeito de administrar tucano será consolidado, apenas pelo fato de ter saído vitorioso na eleição.

Daí o estranhamento do Mussoline que brilhantemente arrematou: “É uma visão simplista diante das mudanças que Teresina sofreu nas últimas duas décadas, período em que o PSDB esteve no controle da administração pública na Capital. Fatores econômicos e sociais transformaram a Teresina provinciana que Wall Ferraz governou há 21 anos numa metrópole, com os problemas que essa condição implica – violência, caos no trânsito, expansão imobiliária e miséria”.

Para finalizar, lembraria: humildade é aceitar a verdade. Ser humilde é enxergar suas falhas e reconhecê-las.

* Deusval Lacerda de Moraes é Pós-Graduado em Direito


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