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Lula lá e não cá


Imagem: ReproduçãoClique para ampliarDeusval Lacerda(Imagem:Reprodução)
* Por Deusval Lacerda

Até o mundo mineral sabe que o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ainda está se convalescendo do procedimento cirúrgico que fez na laringe. E por isso ainda está com dificuldades de falar e que só vai poder ser liberado pelos médicos para ter participação restrita nas eleições municipais de 2012. Ocorre que alguns petistas, embora sabedores do seu estado de saúde, mas por não estarem bem nas pesquisas de avaliação popular, querem a todo custo o Lula no palanque como talismã para reverter situações eleitorais adversas que eles mesmos criaram por não promoverem as mudanças nos estados ou municípios que governaram, mas que objetivam novamente o poder mesmo que tenham de utilizar-se do Lula em plena recuperação da sua saúde.

Nesse caso, o melhor é deixar o Lula lá. Nestas eleições municipais de Teresina, segundo a última pesquisa divulgada pelo Instituto de Opinião Pública – Amostragem (realizada entre os dias 13 e 16 de julho), o poder de Lula transferir o voto dos teresinenses para a candidatura petista é de apenas 6,13% do eleitorado, o que assim derruba o mito de que o ex-presidente teria a capacidade de reverter o resultado das eleições, deixando claro que as disputas municipais são levadas em conta pelos eleitores os requisitos da experiência, da plataforma administrativa, da capacidade de realização, da confiança e das qualidades pessoais dos candidatos.

Há alguns petistas que ainda não se aperceberam disso. De 2002, quando começou a era petista no Brasil, até os dias atuais, já se passaram 10 anos e, nesse meio tempo, mesmo a petista Dilma Rousseff sendo a presidente do Brasil, muita coisa realmente mudou. Apenas para relembrar, o jingle do sucesso das campanhas do Lula, Brilha Uma Estrela, ou Lula Lá (também conhecido como “Sem medo de ser feliz”), talvez não tenha o mesmo apelo eleitoral que tinha naquela época, pois uma sucessão de fatos se sucedeu que vem esmaecendo as esperanças dos brasileiros, como o atual julgamento da ação penal do mensalão que foi um dos maiores escândalos de corrupção existentes nas sociedades democráticas ocidentais.

No que diz respeito exclusivamente às eleições municipais de Teresina, é sabido que o PT nunca obteve bons resultados eleitoral nesta Capital. A título de exemplo, nas duas últimas postulações, com as candidaturas de Flora Isabel e Nazareno Fonteles, a votação foi pífia, mesmo o PT comandando o governo do Estado. E para as eleições de outubro próximo, segundo alguns institutos de pesquisas, a chapa petista está estagnada num patamar eleitoral que não inspira êxito na disputa, daí a insistência de alguns dos seus estrategistas para trazer o Lula a Teresina na tentativa de melhorar o desempenho eleitoral do partido.

Mas melhor mesmo é o Lula lá do que cá. Primeiro, porque preserva a sua saúde para não prejudicar no tratamento. Segundo, porque ele aqui não vai surtir tanto efeito, conforme as pesquisas de opinião. Depois, porque as coisas não são como antes, pois a governança petista no Piauí incorreu em equívocos políticos que lhe são muito caros hoje, como eleger um governante no Estado que recebeu total apoio do PT do Piauí, do Lula, da Dilma e mesmo assim preferiu lançar chapa própria para concorrer a Prefeitura de Teresina em vez de apoiar, em retribuição, a candidatura petista nestas eleições, mesmo tendo como cabeça de chapa o que lhe escolheu para ser o candidato ao governo do Estado em 2010.

Assim, os pobres mortais não podem operar milagres. Pois competem aos próprios candidatos que disputam as eleições de Teresina mostrar que são capazes de resolver os problemas mais cruciais da nossa Capital, em vez de apelar para líder popular que o seu próprio candidato a prefeito de São Paulo, reduto onde começou a sua carreira política, está patinando nas pesquisas por ter dificuldades de ser aceito pelo eleitorado paulistano pelos mesmos motivos de desgaste no exercício do poder. Assim dito, seria mais razoável cada um dos postulantes a prefeito de Teresina utilizar o seu próprio potencial político-creditício para mostrar aos teresinenses que é capaz de solucionar os problemas mais prementes sem ter de usar o potencial de quem vai sempre estar muito longe para enfrentar a nossa realidade em eventual mandato no Palácio da Cidade.

*Deusval Lacerda de Moraes
Pós-Graduado em Direito

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