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Engana-me que eu gosto


*Arthur Teixeira Júnior

Imagem: GP1Arthur Teixeira(Imagem:GP1)Arthur Teixeira
O Ser Humano tem a pretensão de ser o “sabichão do universo”: tudo ele quer saber, a tudo quer dar uma explicação. Essa mania de querer explicar tudo, já custou-lhe alguns problemas. Que nos digam Galileu, Giordano Bruno e D’Ascolli, além de milhões de mulheres (75% do total de vítimas) queimadas, afogadas ou “somente” linchadas durante a Santa Inquisição.
Mesmo assim, a tudo queremos dar alguma explicação. Quando não conseguimos, atribuímos à situação alguma “ação divina”.

Sempre fui bom em explicações. Aliás, sob tensão ou tomados pelo medo, todos nós somos capazes de buscar uma explicação onde nem nós mesmos acreditávamos que houvesse. Certa vez cheguei em casa, já tarde da noite, praguejando meu empregador, dizendo que não compensava trabalhar tanto por tão pouca remuneração, amaldiçoando o Governo, o tempo chuvoso, o trânsito, enfim, tudo isto despindo-me diante de minha passiva e conformada esposa então no exercício da função, preparando-me para o merecido banhar antes do jantar. Até que em certo momento, esbaforida, ela questiona:

_ Ué, cadê sua cueca?

Bem observado! Onde estaria minha cueca?

Um turbilhão de explicações passaram rapidamente pela minha cabeça, quase nenhuma plausível como “_ Saí tão apressado para trabalhar hoje cedo que esqueci de colocá-la...” Mas não. O idiota aqui exclamou:

_ Roubaram!!!

Foi o fim de nosso harmonioso casamento.

Betânia, minha vizinha (não a dona da cadela, mas sim a cadela da vizinha) tem o salutar costume de passar as tarde- noites em minha humilde residência, enquanto seu laborioso esposo labuta sobre sua barulhenta mototaxi. Mas ontem exageramos nos afazeres, e já avançada noite escutamos o papocar da motozinha do infeliz. Pois a infiel vizinha, como uma gata (que não deixa de ser) saltou lépida da cama, sem colocar os pés no chão, pulou janela a fora e mais rápida de quem está roubando, saltou o muro (baixo, na verdade), indo cair no quintal de sua residência, mas, nua, presa pela porta da cozinha que deixara trancada a chave.

Quieto como defunto morto, em silêncio (a série de pleonasmos é proposital para dar ênfase ao texto narrativo de meu medo congelante), escutei o inconveniente marido ir abrindo as portas internas da casa, acender as luzes, chamar pela esposa, até que finalmente, abrindo a porta da cozinha dando para o quintal, julgo que atônito (pois estava eu encolhidinho na caminha quente), exclama:

_ Que diabo está fazendo no quintal a estas horas, e ainda pelada?

_Eu posso explicar – sussurou a desnuda infiel.

Esgueirei-me sorrateiro por entre os panos, aproximando-me da janela, ouvidos ouriçados, pois jamais poderia perder aquela explicação: como alguém explicaria estar nua, trancada por dentro no quintal, as 8 da noite e ainda toda amarrotada? O agitar da rua e o ensurdecedor barulho de um carro de propaganda política privaram-me deste deleite. Mas a explicação deve ter sido boa, pois não ouvi depois grandes barburios.

Aliás, sempre ouvi falar que Betânia é muito boa em desculpas, principalmente aos incautos que lhe prestam ou confiam em seus serviços: Contrata e não paga, recebe de seu contratante e não repassa a seus colaboradores, uma verdadeira gatuna. Deve ter um santo muito forte a lhe acobertar, ou mesmo com quem divide as benesses da rapina, pois, como disse Lincoln, “podemos enganar algumas pessoas o tempo todo ou todas as pessoas durante algum tempo. Mas nunca enganar todas as pessoas o tempo todo...”

Mudando um pouco de assunto.

Disseram-me que nas “redes sociais”, a qual considero passatempo desocupados, existem diversas criticas a nós, nordestinos, pela grande votação que obteve Dilma por estas bandas.
É verdade que muitos conterrâneos votaram em Dilma, não pelas propostas, mas por acreditarem que assim estariam garantindo o ópio chamado “Bolsa Família”.

Mas quem elege Tiririca, Romário e Russomano, quem manteve por décadas no poder Maluf, Suplicy, Garotinho e outros cacarecos, ladrões e aventureiros, não tem o menor direito de criticar ninguém.


*Arthur Teixeira Júnior é colaborador

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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