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A esperança foi a penúltima


*Arthur Teixeira Junior
Imagem: GP1Arthur Teixeira(Imagem:GP1)Arthur Teixeira
Quando ainda estudava no ginásio (naquela época fazíamos o primário, a admissão – um vestibular de nível médio – o ginásio e depois optávamos entre o clássico, o normal e o científico, dependendo de nossos anseios universitários), meu mestre de Educação Moral e Cívica (o provavelmente já falecido Leopoldo Costa Duarte) alardeava ser o Brasil o “país do futuro”, agraciado por Deus com pujantes riquezas minerais, uma população predominantemente jovem, sem desastres naturais, sem conflitos sociais. Era uma questão de tempo toda a população sofrida poder usufruir destas riquezas que seriam certamente divididas entre todos os brasileiros.

Veio a ditadura militar, e passamos mais de 20 anos vendo esta propalada riqueza sendo divida somente entre os detentores do poder e seus asseclas.

Participei efusivamente das “Diretas Já”. Muito chorei com a derrota da emenda Dante de Oliveira. Acompanhei pelo rádio a votação do Colégio Eleitoral que, por 480 a 180 votos, elegeu Tancredo e derrotou Maluf, renovando as esperanças.

O destino (e uma até então impopular moléstia) impediu que as palavras de Leopoldo tornassem-se, quiçá, realidade. Foram 5 anos de Sarney e seus desmandos, embora eu tenha sido um dos “fiscais do Sarney” em seu Plano Cruzado.

Em 1989 desafiava meus colegas e vizinhos, ostentando orgulhoso na lapela a estrelinha plástica do então candidato Lula. Perdemos para Collor por menos de 6% dos votos, graças a uma nojenta manobra que contou com a traição de Miriam Cordeiro, hoje milionária.
Voltei às ruas, desta feita com a cara pintada, e junto com meus pares tenho certeza que contribuí para tirar Collor, PC Farias e seus cúmplices do Planalto. Era o momento que eu esperava por décadas. Aliás, eu e meus contemporâneos.

Agora, sem tanta oposição e com maior desenvoltura, voltei a ostentar a estrelinha no peito, agora metálica e com as bordas douradas. Era a hora prometida. Viria a anunciada divisão do bolo! Chegamos ao ano de 2002, quase meio século depois das profecias de Leopoldo.
Finalmente um presidente dos trabalhadores, um operário que sempre condenou a corrupção e tinha como maior bandeira a proteção do povo de seu país. Um presidente do povo!

Passaram-se mais 12 anos, e nada mudou. Mudando, foi para pior. Uma incrível semelhança com um livro que li ainda no tempo daquele ginásio (Revolução dos Bichos, salvo engano).

Hoje, cardíaco e já faltando-me forças, com sofridos e esperançosos 60 anos, vejo que morrerei e não verei a distribuição das riquezas de meu país dentre aqueles que nele trabalham honestamente. Nunca se roubou tanto. Nunca se desviou tanto dinheiro público. Nunca se comprou tanta gente com assistencialismo e esmolas pagas com o erário. Os militares devem estar envergonhados de tão amadores que foram, pois, embora tenham “metido a mão” nas riquezas do Brasil, nada se compara ao que o governo dos trabalhadores fez e está fazendo.

Os tentáculos da corrupção penetraram nos três poderes, tornando-os um só corpo. Não temos mais a quem apelarmos em salvação. Tenho dúvidas se educo meu filho com a mesma educação que herdei de meu pai, também falecido na esperança que nunca vingou, ou se mostro a ele a realidade da vida que vivemos neste país, dominado por corruptos, bandidos, ladrões e malfeitores, e onde ser honesto é motivo de vergonha e chacota.

*Arthur Teixeira Junior é articulista

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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