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Edvaldo Pereira de Moura: um país chamado ‘seinão’

O artigo do desembargador Edvaldo Pereira de Moura, que é diretor da ESMEPI e professor da UESPI.

Foto: Arquivo pessoalEdvaldo Moura
Edvaldo Moura

Desembargador Edvaldo Pereira de Moura,

Professor de Direito Penal e Processual Penal da UESPI e Diretor da ESMEPI 

Como Presidente da operante Academia de Letras da Região de Picos, de que sou sócio-fundador, procedi ao lançamento de emblemáticas obras literárias, dos mais eminentes mestres do mundo intelectual do Piauí. Dentre outras, destaco a obra intitulada, Um País Chamado Seinão, da inspirada lavra do escritor José Inácio Sobrinho, popularmente conhecido por ‘Zeli’, intelectual sensível e criativo e orador de palavra fácil e fluente. A supramencionada obra, de leitura agradável, além de sua originalidade, afigura-se-me deveras criativa e marcada pelo bom humor.

Original, porque não se pode rotular a sua encadernação, com o seu respectivo gênero literário. É uma saga humorística, repleta de narrativas anti-históricas ou, no mínimo, uma ficção heterodoxa, pungentemente demolidora, daquilo que por muitos anos se ensinou às crianças e aos cidadãos adultos, como sendo a ufanosa História do Brasil. Neste notável livro, José Inácio Sobrinho analisa o projeto existencial do Brasil, desde os seus primeiros momentos, sempre eivado, como sabemos, de mentiras, de fantasias, de violências, de abusos, de corrupção, de distorções e de outras salafragens cavilosas, com que já nos deparamos ao longo de tantos anos.

Seu humor é direto e ferino. Nele, a ironia dos contrastes políticos, sociais, jurídicos, culturais e econômicos desse país chamado ‘Seinão’, rasga a doce paz das consciências adormecidas, no ledo engano da nossa falsa historicidade. Sua obra nos faz lembrar a construção das falsas promessas, que projetaram modelos de existência indigna e estúpida, em que a paz, o amor, a fraternidade e a Justiça fossem, apenas, declarações formais de intenção.

A obra de José Inácio Sobrinho, pelo que se constata, está carregada de um sarcasmo construtivo e impressionante, como aquele encarnado pelos personagens da comédia antiga: rindo, castigavam os erros e os inaceitáveis comportamentos desviantes da sociedade a que pertencemos.

‘Um País Chamado Seinão’ é uma sátira em cima dos eventos da nossa história pátria oficial. É um filão inesgotável de distorções, de astúcias, de cavilosidades, de enganações, de molecagens, que precisavam da maestria de alguém, que fosse portador da clarividência do seu autor, para que fossem sagazmente reveladas.

A história do Brasil, para José Inácio Sobrinho, é muito diferente da contada em nossos livros oficiais. Nas páginas de ‘Um País Chamado Seinão’, o engraçado e o patético se misturam, com o frenesi de um picadeiro, nos levando a meditar sobre a nossa facticidade de povo mal formado, iludido, acanhado, mal dirigido e despreparado, como mostra a sociologia de que se tem notícia. Aí, sentimos o quanto o autor urdiu a saga do seu povo, com invejável inteligência e inegável habilidade literária. A obra do intelectual José Inácio Sobrinho, para os que a leram, não é um simples anedotário, embasado nos acontecimentos históricos do Brasil. Ela tem a marca da sagacidade, do humor bem pensado, da sátira urdida, com criatividade, em que o nosso autor cria um país surreal, com uma caricatura, em que as semelhanças com fatos locais, com datas e com personagens reais é, lamentavelmente, uma irônica fatalidade. Com esta obra, José Inácio Sobrinho conquistou um espaço precioso, reservado aos melhores cultores da literatura piauiense.

*** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do GP1

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