Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , vem publicando abertamente suas ameaças comerciais ao Brasil em redes sociais e entrevistas, o Governo Lula opta por uma postura discreta, mantendo sob sigilo o teor de duas cartas enviadas ao norte-americano. As comunicações diplomáticas são tentativas de evitar a elevação para 50% na tarifa sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor no dia 1º de agosto.
Segundo apuração do Metrópoles , Trump ignorou a primeira carta enviada pelo governo brasileiro, ainda quando a taxação estava prevista em 10%. Uma nova carta foi encaminhada nesta terça-feira (15), assinada pelo vice-presidente e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, apelando por uma resposta. No texto, Alckmin relembra que, em 16 de maio, o governo apresentou uma “minuta confidencial” com possíveis áreas de negociação, mas até agora não obteve retorno.
“Com base nessas considerações e à luz da urgência do tema, o Governo do Brasil reitera seu interesse em receber comentários do Governo dos EUA sobre a proposta brasileira”, escreveu Alckmin. No entanto, o conteúdo exato dessa proposta ainda é desconhecido até mesmo por representantes de setores econômicos diretamente afetados, o que tem causado apreensão entre empresários e analistas.
Trump intensifica pressão nas redes e mira até o Pix
Enquanto isso, Trump segue utilizando canais abertos e públicos para pressionar o Brasil. Com uma comunicação agressiva e direta, tem criticado até mesmo ferramentas como o Pix, o que levantou um alerta no Palácio do Planalto. Há receio de que a popularidade do governo seja atingida, caso os impactos comerciais da disputa ganhem dimensão interna.