Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) indica que a expansão do Bolsa Família nos últimos anos tem impactado a participação da população na força de trabalho. Segundo o estudo, para cada duas famílias que recebem o benefício, uma deixa de buscar emprego formal, especialmente jovens homens das regiões Norte e Nordeste.

O programa passou por grande transformação desde a pandemia, quando os valores pagos saltaram de uma média de R$ 190 por família em 2019 para os atuais R$ 670. Ao mesmo tempo, o número de famílias atendidas aumentou de 14 milhões para 21 milhões, e o orçamento anual passou de R$ 35 bilhões para R$ 170 bilhões. Com o auxílio representando cerca de 35% da renda mediana do trabalho no país, muitos beneficiários passaram a priorizar a renda garantida em detrimento do emprego formal.

Foto: Lucas Dias/GP1
Cartão do Bolsa Família

Embora a taxa de desemprego tenha alcançado 5,8% em junho, a menor da série histórica, a taxa de participação na força de trabalho ainda não retornou aos níveis pré-pandemia. Em dezembro de 2019, 63,4% da população em idade ativa estava trabalhando ou procurando emprego; em junho de 2025, esse índice caiu para 62,4%, com o Nordeste apresentando a maior retração.

Os pesquisadores apontam que os efeitos negativos do programa se concentram em jovens de 14 a 30 anos e nos homens de todas as idades, que apresentam menor interesse no trabalho formal. Por outro lado, há sinais positivos: jovens beneficiários com maior escolaridade tendem a aumentar a matrícula em instituições de ensino, o que pode potencialmente se traduzir em ganhos futuros de capital humano.

Para mitigar os impactos, especialistas sugerem um redesenho do programa, com redução do benefício básico para incentivar o ingresso no mercado de trabalho de jovens sem perspectiva educacional, enquanto recursos seriam direcionados para famílias com crianças ou jovens fora da escola. A ideia é transformar o Bolsa Família em um “trampolim” para a superação da vulnerabilidade social, integrando educação, capacitação e estímulo à formalização e ao empreendedorismo.

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