O senador Esperidião Amin (PP-SC) acusou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes , de desqualificar o relatório da Polícia Federal feito em 2018 que recomendou a adoção do voto impresso para auditar o sistema eleitoral no Brasil. O magistrado atribuiu ao parlamentar o pedido feito à corporação para elaborar o parecer, sendo que a solicitação teria partido do Tribunal Superior Eleitoral.

Na sessão desta terça-feira (09) do julgamento pela suposta tentativa de golpe de Estado, Moraes citou que o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres, atacou a credibilidade das urnas eletrônicas em live de Bolsonaro no dia 29 de julho de 2021, baseado no relatório da PF feito a pedido do senador Amin.

Foto: Carlos Moura/Agência Senado
Senador Esperidião Amin

“Eram pareceres com recomendações, inclusive um deles havia sido pedido por Esperidião Amin, aliado político de Jair Bolsonaro. Ou seja, nada de questão técnica, de laudos periciais, mas sim a unidade de signos para continuar os atos executórios para descredibilizar as urnas eletrônicas, a Justiça Eleitoral e o Poder Judiciário”, declarou o ministro.

Contrariando a declaração de Moraes, o senador Amin relembrou que o relatório foi feito em 2018 por três peritos criminais federais atendendo pedido da Corte Eleitoral, na época presidido pela ministra Rosa Weber. Na recomendação do parecer, os peritos indicam “que sejam envidados todos os esforços para que possa existir o voto impresso para fins de auditoria”. Esse documento foi usado pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas discussões sobre voto impresso.

“O ministro Alexandre de Moraes faltou com a verdade de novo. Ele disse de forma taxativa que não existe relatório da Polícia Federal tratando da necessidade da impressão do voto para fins de auditoria. Esse documento existe, é oficial e foi elaborado pela PF, não por mim nem por ninguém da oposição”, declarou Amin Esperidião.

No Senado, o senador mostrou a jornalistas o relatório impresso, datado de 2 de outubro de 2018, destacando que trata de uma análise técnica feita pela PF por solicitação do TSE. “Ao tentar desqualificar os argumentos da defesa, o ministro voltou a negar a verdade. Esse documento não foi feito para mim ou para Bolsonaro. Ele foi elaborado a pedido do próprio TSE. Portanto, não é uma invenção, mas um dado oficial que contraria a narrativa sustentada por Moraes”, reforçou o parlamentar.

Sem anúncio no momento