A deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), atualmente presa na Itália, será ouvida por videoconferência nesta quarta-feira (24) pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados , no âmbito do processo de cassação de seu mandato.
A prisão da parlamentar foi decretada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que a acusa de participar da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com a ajuda do hacker Walter Delgatti. Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão, perda do mandato e ao pagamento de multa de R$ 2 milhões em danos materiais e morais, mas nega qualquer irregularidade.
Na mesma comissão, já foi ouvido o ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Eduardo Tagliaferro . Segundo ele, Zambelli estava entre os principais alvos de monitoramento pelo STF. “O que eu tenho são relatórios produzidos, e-mails encaminhados oficialmente ao gabinete do ministro e várias conversas de WhatsApp, onde se vê claramente que Carla Zambelli era um alvo. Havia uma intenção persecutória. Inclusive, em algumas mensagens, se dizia: ‘Vamos pegar ela’”, declarou Tagliaferro ao relator da CCJ, deputado Diego Garcia (Republicanos-PR).
De acordo com o ex-assessor, os pedidos de monitoramento eram insistentes e focados em pessoas com grande alcance nas redes sociais. Ele apresentou prints das conversas à comissão como prova.
O pedido de perda de mandato foi encaminhado à Câmara pelo STF. Zambelli, que está em licença de 127 dias, teve sua cadeira assumida pelo suplente Coronel Tadeu (PL-SP) e aguarda os trâmites do processo de extradição na Itália.