O ministro Alexandre de Moraes , do Supremo Tribunal Federal ( STF ), determinou a abertura de um inquérito para investigar possíveis acessos irregulares a dados fiscais de ministros da Corte e de seus familiares, no contexto das apurações sobre a liquidação do Banco Master. A decisão foi tomada após a divulgação de reportagens que trouxeram informações financeiras sensíveis, supostamente obtidas junto à Receita Federal e ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras ( Coaf ).
A investigação busca esclarecer quem teve acesso aos dados sigilosos e se houve violação das regras legais que regem essas consultas. Moraes requisitou informações formais à Receita Federal e ao Coaf, exigindo o envio de registros detalhados de acesso, já que todo procedimento nos sistemas é feito mediante identificação por senha. Caso as explicações apresentadas sejam consideradas insuficientes, o ministro poderá determinar perícias técnicas e até a quebra de sigilo telemático.
O inquérito abrange todos os ministros do STF e seus familiares, embora, até o momento, os indícios atinjam diretamente ao menos dois magistrados. Parte da Corte defende uma apuração rigorosa, mesmo sem a confirmação definitiva de que houve quebra de sigilo fiscal, diante da gravidade institucional do caso e do potencial uso indevido de informações protegidas por lei.
A investigação ocorre durante o recesso do Judiciário, período em que Moraes exerce interinamente a Presidência do STF. O caso ganhou repercussão após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, episódio que também levou à prisão temporária do fundador da instituição, Daniel Vorcaro, hoje em liberdade monitorada. O processo envolvendo o banco tem como relator o ministro Dias Toffoli.