Receber um miado carinhoso, ouvir um ronronado suave, fazer cafuné em uma barriga cheia de dobrinhas, sentir as patinhas “amassando pãozinho” e adormecer com o calor de um gato por perto: esses são alguns dos prazeres de dividir a casa com um felino. Ainda assim, mesmo sendo um dos animais de estimação mais populares, o preconceito contra esses peludos persiste entre muitas pessoas.
Com o objetivo de desfazer equívocos e valorizar a vida desses companheiros, o dia 17 de fevereiro foi oficializado como o Dia Mundial do Gato . Mais do que uma celebração, a data funciona como um alerta para tutores e para a sociedade em geral sobre as particularidades da espécie, além de reforçar a importância de cuidados e proteção adequados.
Para orientar quem já convive com gatos ou pensa em adotar um, a coluna É o Bicho!, do Metrópoles, ouviu a médica-veterinária Kathia Soares, que esclareceu mitos e verdades sobre os felinos. Confira:
MITO: gatos são independentes e “desapegados”
Ao contrário do senso comum, explica a especialista, os gatos criam laços significativos com seus tutores, apenas demonstram afeto de maneira mais discreta do que os cães. Proximidade constante, ronronar, o gesto de “amassar pão”, contato visual e apego a rotinas previsíveis são formas de expressar carinho.
Ignorar essas necessidades, acreditando que o animal “não liga” para interação ou estímulos ambientais, pode resultar em estresse crônico e mudanças comportamentais. Esse desequilíbrio impacta não só o bem-estar emocional, mas também a imunidade do pet.
VERDADE: a castração contribui para saúde e maior expectativa de vida
Além de ser a estratégia mais eficaz de controle populacional, a castração oferece vantagens preventivas. Nas fêmeas, reduz o risco de neoplasias mamárias que, na maioria dos casos, são malignas e elimina doenças do sistema reprodutivo. Nos machos, auxilia na prevenção de problemas prostáticos.
Do ponto de vista comportamental, o procedimento diminui fugas, marcação territorial e agressividade. Como consequência, reduz a exposição a brigas, traumas e ao contato com outros gatos, o que também ajuda a prevenir infecções, como a leucemia viral felina.
MITO: gatos que vivem apenas em apartamento não precisam de antiparasitários
Segundo Kathia, essa é uma das crenças mais preocupantes, pois envolve tanto a saúde do animal quanto a das pessoas da casa. Mesmo sem acesso à rua, o gato pode entrar em contato com parasitas levados para dentro do lar por meio de sapatos, roupas e objetos. Pulgas e ovos de vermes, por exemplo, podem ser transportados dessa forma.
Independentemente de o felino viver exclusivamente em ambiente interno, o controle periódico de ecto e endoparasitas é indispensável. A falsa ideia de que gatos exigem menos cuidados médicos que cães pode atrasar o diagnóstico de infecções silenciosas e comprometer medidas essenciais de prevenção inclusive contra agentes com potencial de afetar a saúde humana, alerta a veterinária da MSD Saúde Animal.
VERDADE: conviver com gatos favorece a saúde cardiovascular
O vínculo entre humanos e animais é reconhecido pela ciência como benéfico. De acordo com o Human Animal Bond Research Institute (HABRI), tutores de gatos podem ter até 30% menos risco de sofrer infarto ou outros problemas cardiovasculares.
A interação, o toque e até a frequência do ronronar colaboram para reduzir o cortisol hormônio relacionado ao estresse e estimular a liberação de ocitocina, o que favorece estabilidade emocional e ajuda a controlar a pressão arterial.
MITO: gatos são “frios” porque escondem doenças
Não se trata de frieza, mas de instinto de autopreservação. Os felinos tendem a disfarçar dor e mal-estar, o que pode fazer com que sinais iniciais como apatia, diminuição do apetite ou menor interação passem despercebidos.
Por isso, a medicina preventiva é essencial. Consultas regulares, vacinação atualizada, controle de parasitas e exames de rotina são medidas fundamentais para detectar precocemente alterações e assegurar qualidade de vida.
VERDADE: hidratação adequada protege os rins
Descendentes de espécies adaptadas a ambientes com pouca oferta de água, os gatos sentem menos sede e produzem urina mais concentrada. Estratégias que estimulem a ingestão hídrica são importantes aliadas da saúde renal.
O uso de fontes com água corrente e a oferta de alimentação úmida são medidas que aumentam o consumo de líquidos de forma indireta e contribuem para o bom funcionamento do trato urinário, conclui a especialista.