Os irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, completam um mês desaparecidos sem que o caso tenha sido esclarecido. As crianças sumiram após serem vistas pela última vez no quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal, no Maranhão , onde desde então ocorre uma operação contínua de buscas e investigação.
A região onde ocorreu o desaparecimento fica distante da área urbana e apresenta condições que dificultam os trabalhos, como mata fechada, terrenos alagadiços e diversos rios e lagos, fatores que ampliaram a complexidade da operação, segundo as autoridades de segurança do estado.
O caso começou quando três crianças da mesma família saíram de casa para brincar nos arredores, procurando um pé de maracujá, e não retornaram. Diante do sumiço, parentes iniciaram buscas por conta própria, o que levou à mobilização das forças policiais e de resgate.
As ações foram rapidamente ampliadas, reunindo policiais civis e militares, bombeiros e moradores da comunidade. Com o avanço das diligências, passaram a ser utilizados helicópteros, drones e cães farejadores para cobrir uma área maior de mata.
Durante as buscas, o primo das crianças, Anderson Kauan, de 8 anos, foi encontrado com vida em uma região de mata, distante da casa da família. Ele estava sem roupas e apresentava sinais de desgaste físico. Posteriormente, peças de vestuário foram localizadas na área, mas outros itens encontrados ao longo da operação não foram confirmados como pertencentes aos irmãos desaparecidos.
Com o passar dos dias, a operação recebeu reforço de diferentes instituições, incluindo Exército, Marinha e equipes especializadas em buscas aquáticas, que realizaram varreduras no Rio Mearim e em lagos da região. Um ponto conhecido como “casa caída” também foi identificado, onde há indícios de que as crianças tenham se abrigado temporariamente.
Diversas denúncias sobre possíveis avistamentos em outros estados foram apuradas, mas acabaram descartadas. Informações falsas que circularam nas redes sociais, envolvendo familiares das crianças, também foram oficialmente desmentidas pela Polícia Civil.
Apesar do encerramento das buscas aquáticas, as investigações continuam. A polícia mantém equipes em campo e segue analisando diferentes hipóteses, embora a principal linha investigativa seja a de que as crianças tenham se perdido na mata.
A apuração é conduzida por uma comissão especial da PC, que adotou medidas como a coleta de material genético de familiares, análises periciais, ativação de alertas de desaparecimento em redes sociais e a disponibilização de canais para denúncias anônimas.
Segundo o depoimento de Anderson, os três se perderam na mata e permaneceram juntos por ao menos duas noites antes de se separarem. O menino foi encontrado no quarto dia de buscas, recebeu atendimento médico e teve alta após exames descartarem a ocorrência de violência sexual. O caso segue sob investigação.