O empresário Daniel Vorcaro , ex-dono do Banco Master, teria estruturado um esquema internacional para ocultar a aquisição de imóveis de alto valor nos Estados Unidos. De acordo com informações publicadas pelo UOL, o banqueiro comprou ao menos duas propriedades em Miami entre 2023 e 2025, com valor total estimado em cerca de R$ 482 milhões. As transações teriam sido realizadas por meio de empresas registradas em jurisdições com regras rígidas de sigilo, como o estado norte-americano de Delaware, evitando que o nome do empresário aparecesse nos registros oficiais de propriedade na Flórida.
As suspeitas surgiram a partir da análise de mensagens trocadas entre Vorcaro e sua então namorada, a modelo Martha Graeff. Em um diálogo datado de maio de 2024, a modelo questionou se a compra de uma mansão avaliada em cerca de R$ 446 milhões poderia gerar exposição pública. Segundo o conteúdo divulgado pelo UOL, o empresário respondeu dizendo que havia “bolado um jeito” de evitar essa exposição e que o imóvel apareceria formalmente no nome de um suposto “amigo russo”.
Apesar das mensagens citadas na reportagem, Vorcaro afirmou em depoimento prestado à Polícia Federal, em dezembro do ano passado, que não possui imóveis em Miami. Na ocasião, ele declarou que apenas alugava uma residência na região. As informações analisadas por investigadores, no entanto, indicam a existência de operações imobiliárias associadas a empresas que, segundo as apurações, estariam ligadas ao empresário.
A principal propriedade identificada seria uma mansão de aproximadamente 1,9 mil metros quadrados localizada no condomínio fechado de Bay Point, em Miami. O imóvel foi comprado em janeiro de 2025 pela empresa Goldbeach Properties LLC e possui 11 quartos, além de dois píeres privativos. A transação estabeleceu um recorde de valor de venda na região. Um mês depois, a mesma empresa teria adquirido uma casa vizinha por cerca de R$ 36,25 milhões.
Investigadores também apontaram conexões de Vorcaro com um apartamento no edifício Asia, localizado em Brickell Key, avaliado em aproximadamente R$ 14,7 milhões. A estratégia de ocultação patrimonial incluiria ainda o aluguel de uma cobertura de luxo no Four Seasons Surf Club por meio de empresas intermediárias. As movimentações passaram a chamar a atenção de autoridades monetárias brasileiras, incluindo integrantes do Banco Central do Brasil, que passaram a acompanhar o avanço patrimonial do empresário.