Suzane von Richthofen decidiu apresentar sua própria narrativa sobre as mortes dos pais, Manfred e Marísia von Richthofen, em um documentário com duração de duas horas. A produção, liberada pela Netflix em uma prévia restrita, traz a condenada que cumpre pena de 39 anos e 6 meses, defendendo que o crime foi consequência de uma infância marcada pela ausência de afeto. De acordo com a análise de Ulisses Campbell, escritor especializado em true crime, Suzane retrata o ambiente familiar como um “abismo” emocional, no qual ela e o irmão se sentiam “invisíveis".

Ela afirma que o pai era “zero afeto” e conta ter testemunhado episódios de violência doméstica ainda na infância. Suzane também diz que o vazio emocional deixado pelos pais acabou sendo preenchido por Daniel Cravinhos. Segundo sua versão, o relacionamento com o namorado provocou uma “guerra” dentro de casa, que se intensificou até culminar nos acontecimentos de outubro de 2002.

Foto: Reprodução
Suzane von Richthofen

Um momento central na narrativa surge durante uma viagem de 30 dias dos pais à Europa. Suzane relata que, nesse período, Daniel passou a morar em sua casa, descrevendo a fase como um “sonho” de liberdade com “sexo, drogas e rock ‘n’ roll”. Segundo Campbell, ela relembra essa etapa com risos. No entanto, com o retorno dos pais, os conflitos se tornaram insustentáveis. Suzane admite ter levado os executores, Daniel e seu irmão, Cristian, para dentro da residência, mas tenta se distanciar da execução direta do crime.

Ao falar sobre a noite das mortes, Suzane afirma que permaneceu no andar de baixo com as mãos nos ouvidos para evitar escutar o que acontecia no piso superior. Ela define seu comportamento naquele momento como “robótico” e dissociado. Já a delegada Cíntia Tucunduva contesta essa versão e descreve uma cena perturbadora: a polícia encontrou Suzane de biquíni, consumindo cerveja na casa logo após o crime, agindo como se estivesse apresentando um museu aos investigadores.

O documentário também mostra aspectos da vida atual de Suzane, que está em regime aberto desde janeiro de 2023. Ela aparece ao lado do marido, o médico Felipe Zecchini Muniz, e apresenta o filho pequeno como evidência de sua mudança. Para a condenada, a pessoa envolvida no planejamento das mortes “ficou no passado”, e a maternidade representaria um sinal de perdão divino.

Apesar de tentar dissociar sua imagem do caso, Suzane reconhece que ainda convive com o peso da exposição pública. Ela relata ser fotografada frequentemente em locais comuns, como supermercados, e afirma que o ar “parece parar” quando as pessoas percebem sua presença. A produção, que tem o título provisório de Suzane vai falar, ainda não tem data oficial de lançamento para o público geral.

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