O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) solicitou que a Corte analise uma possível infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) em estruturas da administração pública, especialmente no estado de São Paulo. A representação foi assinada pelo subprocurador-geral do MP junto ao TCU, Lucas Furtado, que apontou preocupação com os impactos institucionais e financeiros da suposta atuação criminosa em órgãos públicos.

Segundo o documento encaminhado ao tribunal, a eventual presença do PCC em estruturas governamentais possui “inequívoca dimensão político-institucional e repercussões em nível nacional e internacional”. O subprocurador argumenta que a infiltração de organizações criminosas em sistemas de arrecadação e gestão de receitas municipais representa risco direto à confiabilidade dos mecanismos públicos de controle financeiro, além de abrir espaço para possíveis desvios, ocultação ou mistura indevida de recursos públicos com dinheiro de origem ilícita.

Foto: Reprodução
Ministério Público de São Paulo

“A infiltração de uma organização criminosa em sistemas de arrecadação e gestão de receitas municipais repercute diretamente sobre o ambiente no qual circulam recursos federais, fragilizando a confiabilidade desses sistemas e abrindo flancos para desvio, ocultação ou mistura indevida de recursos públicos com dinheiro de origem espúria”, afirmou o subprocurador.

Ainda conforme Lucas Furtado, embora as investigações estejam inicialmente concentradas no estado de São Paulo e em municípios paulistas, o modelo de infiltração descrito teria potencial de atingir interesses diretos da União devido aos possíveis reflexos em repasses federais, convênios e programas públicos financiados com recursos nacionais.

“Embora o foco imediato da investigação seja o Estado de São Paulo e determinados municípios paulistas, o modelo de infiltração revelado alcança, por seu potencial de dano, a esfera de interesse direto da União”, acrescentou.

Na representação, o Ministério Público solicitou que o TCU instaure procedimento específico para acompanhar os fatos relacionados ao suposto plano de ação da facção voltado à infiltração em prefeituras e também no governo estadual paulista. O pedido inclui atenção especial aos sistemas de emissão de boletos e notas fiscais municipais, além da análise dos riscos de captura ou influência criminosa sobre fluxos financeiros públicos. O documento foi protocolado no último dia 11 de maio e distribuído para relatoria do ministro Benjamin Zymler. Até o momento, não houve decisão sobre o pedido apresentado pelo Ministério Público junto ao TCU.

Sem anúncio no momento