As tratativas entre Brasil e Estados Unidos para reduzir a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros esbarraram em um obstáculo jurídico. A informação foi confirmada nesta segunda-feira (18) pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao comentar o tema em entrevista a jornalistas.
Segundo o ministro, Washington insiste em uma saída que o governo brasileiro não pode adotar sem ferir a Constituição. “Os Estados Unidos estão pedindo uma solução que não é possível entregar, porque exigiria a interferência do Executivo em atribuições que são do Judiciário”, explicou. Para ele, trata-se de um impasse que trava o avanço das negociações.
Haddad também avaliou que a falta de acordo pode ampliar o distanciamento comercial entre os dois países. Ele lembrou que, na década de 1980, quase um quarto das exportações brasileiras tinham como destino o mercado norte-americano, percentual que hoje está em torno de 12%. “Se a situação não mudar, infelizmente, esse volume tende a cair ainda mais”, observou.
Outro ponto abordado pelo ministro foi o cancelamento da reunião que teria em julho com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent. O encontro foi suspenso, segundo Haddad, por influência de interlocutores da extrema direita brasileira. Ele citou que, na mesma ocasião, Bessent recebeu o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Na avaliação do ministro, a família do ex-presidente Jair Bolsonaro tem atuado para dificultar o diálogo entre os governos.
Diante da continuidade da tarifa, o Executivo prepara um plano de contingência para amenizar os efeitos da medida sobre os setores mais atingidos. O pacote prevê R$ 30 bilhões em linhas de crédito e será regulamentado por meio de uma medida provisória do programa Brasil Soberano. “Nosso foco é garantir que os recursos cheguem aos empresários e proteger o país dessa agressão externa”, disse Haddad.
De acordo com o ministro, não há previsão de expansão do programa neste momento. “Se o cenário se confirmar, não vejo razão para ampliar. Mas vamos acompanhar os desdobramentos”, completou.
Caroline Vitorino
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