No mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, fez um apelo ao setor do agronegócio para unir esforços com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com o objetivo de “distensionar as relações” entre os dois países.
A declaração foi feita na manhã desta quarta-feira (6), na chegada de Haddad à sede do Ministério da Fazenda, em Brasília. Em conversa com jornalistas, o ministro demonstrou preocupação com o papel da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no agravamento da crise, em especial com a atuação de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos.
“Preocupação com o Eduardo Bolsonaro ameaçando o Congresso Nacional e dizendo que o empresariado brasileiro do agro não está em contato com ele pedindo o arrefecimento das tensões entre os dois países”, afirmou Haddad.
Tarifaço de Trump
No dia 31 de julho, o presidente norte-americano Donald Trump assinou uma ordem executiva que oficializa a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O pacote é resultado da soma de duas medidas: uma alíquota de 10%, anunciada em abril, e um acréscimo de 40% decretado no final de julho. As tarifas passaram a valer nesta quarta-feira (6).
Apesar da taxação pesada, cerca de 700 produtos foram poupados da tarifa extra de 40%, incluindo suco de laranja, aeronaves, castanhas, petróleo e minérios de ferro. Esses itens seguem sendo taxados apenas com a alíquota inicial de 10%. A medida é considerada parte de um movimento mais amplo de Trump para proteger a indústria norte-americana, em meio à sua campanha de reeleição.
Encontro com secretário do Tesouro
Fernando Haddad confirmou que terá uma reunião virtual com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, no próximo dia 13 de agosto. Segundo o ministro, o encontro foi formalizado por e-mail e poderá abrir espaço para uma reunião presencial futura.
Durante a conversa com os jornalistas, Haddad ressaltou que o ideal seria uma mobilização conjunta com o agronegócio brasileiro para pressionar por uma solução diplomática. “Seria adequado que o pessoal ligado a eles [os Bolsonaros] trabalhasse junto conosco para distensionar as relações e tratar o que é política na política e a economia na economia. Essa mistura é que está atrapalhando muito”, disse o ministro.
Plano de contingência
Ainda nesta quarta, Haddad deve apresentar ao presidente Lula um plano de contingência com medidas para enfrentar os impactos do tarifaço sobre a economia nacional. Segundo ele, a proposta já está pronta e aguarda apenas o aval do presidente para ser divulgada.
Com a taxação em vigor, grande parte das exportações brasileiras pode perder competitividade no mercado norte-americano, principal destino de vários produtos do agro e da indústria nacional.
Izabella Furtado
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