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PF indicia influenciadora por transfobia a pedido do Governo Lula

O inquérito foi instaurado após representação feita pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH).

A Polícia Federal (PF) indiciou a influenciadora Nine Borges por transfobia, após publicação em que ela aponta suposto conflito de interesses em repasses do governo envolvendo a secretária nacional dos Direitos das Pessoas LGBTQIA+, Symmy Larrat. O inquérito foi instaurado após representação feita pelo Ministério dos Direitos Humanos (MDH) do governo Lula.

Na publicação, Nine apresenta dados retirados do Portal da Transparência em que acusa Symmy Larrat de destinar R$ 2,5 milhões a uma entidade LGBT, que, segundo a própria fonte de informações, possuía o mesmo endereço de outra organização LGBT presidida pela secretária antes de ela assumir o cargo no governo. Diante disso, a influenciadora indica possível conflito de interesses.

Foto: Arquivo pessoal/ Marcelo Camargo/ Agência BrasilNine Borges denunciou suposto conflito de interesse de Symmy Larrat
Nine Borges denunciou suposto conflito de interesse de Symmy Larrat

Também foram apresentados no inquérito prints dos stories de Nine em que ela critica a presença de Symmy Larrat em evento da Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW), realizado em maio de 2024. A influenciadora questionava a presença da secretária na comitiva do Ministério das Mulheres em Genebra, na época chefiado por Cida Gonçalves. Isso porque, segundo Nine, Symmy se identifica como “travesti” nas redes sociais.

Em uma das publicações, a influenciadora escreveu: “Teve travesti cobrando mais do governo, mas na conversa sobre saúde da mulher, foi assistir vídeo... Afinal de contas, não interessa a ele”. “Meu comentário foi que, numa convenção da qual o Brasil é signatário há décadas, a então ministra das Mulheres escolheu em sua comitiva, numa posição de grande destaque, uma pessoa de sexo biológico, masculino. E me refiro a pessoa como ele porque eu faço concordância com sexo biológico”, explicou a influenciadora.

Diante disso, o MDH encaminhou uma representação à PF contra Nine Borges, em que solicitou a apuração dos crimes de calúnia e difamação e transfobia. Segundo a pasta, a influenciadora estaria atribuindo falsamente desvio de recursos públicos.

O delegado federal que presidiu as investigações afirmou não ter identificado crime, apenas o exercício da liberdade de expressão. Mesmo assim, o caso foi repassado da Delegacia de Direitos Humanos e Defesa Institucional para a Delegacia de Repressão a Crimes Cibernéticos, visto que trata de publicações veiculadas na internet.

Essa segunda unidade da PF deu continuidade o inquérito, que culminou com o indiciamento de Nine. Ela foi indiciada pelos crimes de discriminação em razão de identidade de gênero, equiparado ao racismo. A acusação de crimes de honra foi afastada, visto que para caracterizar calúnia, seria necessário comprovar que aa alegação falsa, o que demanda uma apuração sobre a destinação dos recursos.

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