O deputado Fausto Pinato afirmou nesta quinta-feira (5) que o “Ciro” mencionado em uma mensagem enviada por ele ao empresário Daniel Vorcaro não se refere ao senador Ciro Nogueira, seu colega de partido, mas sim ao advogado Ciro Soares, que representou Vorcaro juridicamente no final do ano passado.
“Ciro Soares é diferente de Ciro Nogueira”, afirmou o parlamentar à Coluna do Estadão. A explicação também foi confirmada pelo próprio advogado.
De acordo com reportagem do Estadão, a Polícia Federal identificou a menção ao nome Ciro em uma conversa por mensagens entre Vorcaro e Pinato. Em um dos diálogos, o deputado escreve: “Oi, amigo, precisamos fazer a videoconferência, eu, você e Ciro”. O empresário responde: “Opa, vamos. Só me chamar”. Dias depois, Vorcaro volta a enviar mensagem: “Fala, amigo. Tudo bem? Vamos falar?”.
Pinato afirmou que foi procurado em 2023 pelo advogado Ciro Soares, que é seu amigo e havia atuado como defensor do Banco Master. Na época, segundo o deputado, a instituição financeira estudava a possibilidade de abrir uma filial na China. Como ele presidia a Frente Parlamentar Brasil-China na Câmara, teria sido procurado para ajudar no contato institucional.
Ainda de acordo com o parlamentar, a videoconferência mencionada nas mensagens nunca chegou a acontecer e o banco acabou desistindo do projeto.
O advogado Ciro Soares confirmou essa versão. “Na época, em 2022 ou 2023, o pessoal do Master tinha me pedido uma ajuda porque estava querendo abrir uma extensão na China. O Fausto presidia a Frente Parlamentar Brasil-China e era a única pessoa que eu conhecia que tinha essa representatividade em relação àquele país”, disse Soares à Coluna do Estadão.
Ele acrescentou: “Eu já tinha sido advogado do Master e fiz esse link para eles, mas depois o banco perdeu o interesse no assunto da China. O assunto encerrou-se por aí. Fausto é meu amigo, já advoguei para a família dele. Não vejo problema nenhum”.
Ciro Soares também atuou na defesa de Daniel Vorcaro no final de 2025, quando o banqueiro foi preso preventivamente pela primeira vez no âmbito da Operação Compliance. O advogado foi um dos responsáveis por assinar um pedido de habeas corpus apresentado ao Superior Tribunal de Justiça em 24 de novembro daquele ano.
Rodrigo Mendes
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