A renda das famílias brasileiras não tem sido suficiente para cobrir despesas essenciais para 59% da população. A pressão no orçamento é ainda mais intensa entre aqueles que recebem até dois salários mínimos, faixa em que 70% relatam não conseguir arcar com os gastos mensais. Os números são de uma pesquisa do Datafolha feita em 117 municípios.
Diante desse cenário, 45% dos entrevistados passaram a procurar fontes alternativas de renda nos últimos meses. A busca por trabalhos informais ou complementação salarial avançou principalmente entre pessoas com ensino médio e superior. O instituto entrevistou 2.002 pessoas, com margem de erro de dois pontos percentuais.
Além disso, quatro em cada dez brasileiros tiveram redução de renda recentemente. A queda nos ganhos familiares afetou com mais intensidade pessoas entre 35 e 44 anos, nesse grupo, metade afirmou ter visto o dinheiro diminuir. Ao mesmo tempo, cresce a percepção de empobrecimento: cerca de dois terços da população admitem ter dívidas em aberto.
O levantamento também indica que pessoas com menor nível de escolaridade recorrem menos a rendas extras, em parte porque esse grupo reúne muitos aposentados e donas de casa. Já entre a população economicamente ativa, a perda de poder de compra levou famílias a aderirem ao trabalho informal ou a jornadas duplas.
O endividamento ajuda a explicar o pessimismo em relação ao orçamento doméstico. Segundo a pesquisa, o salário atual não cobre as despesas básicas da maioria, o que alimenta um ciclo de inadimplência. Nesse contexto, os custos fixos acabam superando a renda mensal disponível.
A dificuldade financeira é ampla, mas atinge com mais força as camadas mais pobres. O Datafolha identificou que a sensação de falta de recursos está entre os principais problemas apontados pelos brasileiros no início de abril. O nível de confiança do levantamento é de 95%.
Leandro Soares
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