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Mudança em sistema da Receita Federal retém mais de 250 mil contribuintes na malha fina

Até o dia 23 de abril, o órgão já havia retificado mais de 1 milhão de declarações por inconsistências.

A Receita Federal promoveu mudanças no sistema de coleta de dados do Imposto de Renda 2026 e, como consequência, mais de 257 mil contribuintes acabaram retidos na malha fina. Até o dia 23 de abril, o órgão já havia retificado mais de 1 milhão de declarações por inconsistências nas informações prestadas.

Segundo os dados divulgados, esse volume representa 6,96% do total de declarações enviadas neste período. No mesmo intervalo do ano passado, o índice era de 5,22%. Apesar do aumento, a Receita classificou a situação como um “padrão administrável” e atribuiu o crescimento à transição no modelo de cruzamento de dados.

Foto: Marcello Casal Jr/Agência BrasilAplicativo da Receita Federal permite consultar informações do Imposto de Renda
Aplicativo da Receita Federal permite consultar informações do Imposto de Renda

O principal impacto tem sido observado nas declarações pré-preenchidas, que passaram a apresentar divergências em relação aos informes de rendimentos fornecidos por empresas e instituições. Quando o contribuinte envia a declaração com essas diferenças, o sistema realiza automaticamente a retenção para análise mais detalhada.

O que mudou

Até 2024, empresas e empregadores utilizavam a Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (Dirf) para reunir e informar os dados anuais à Receita Federal. No entanto, esse documento foi extinto em 2025.

Com a mudança, a Receita passou a extrair as informações mensalmente por meio do eSocial e da EFD-Reinf, sistemas que exigem atualização contínua e maior precisão no envio dos dados.

Críticas e adaptação

Entidades e empresas têm criticado a ausência de um período de transição entre os modelos. A Associação Brasileira de Recursos Humanos avalia que a manutenção temporária da Dirf em paralelo poderia reduzir falhas operacionais e evitar inconsistências nas declarações.

Segundo representantes do setor, o preenchimento das novas plataformas é mais complexo e o processo de atualização das informações ainda apresenta lentidão, o que tem contribuído para erros e necessidade de correções posteriores.

Por outro lado, a Receita Federal defende que o eSocial já está em funcionamento desde 2018 e substituiu cerca de 15 obrigações acessórias. O órgão afirma que o novo modelo exige mais precisão e que falhas são esperadas durante o período de adaptação.

Enquanto isso, empresas seguem enviando declarações retificadoras para corrigir os dados e reduzir o número de contribuintes afetados pela malha fina.

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