O período da janela partidária, encerrado no último fim de semana, resultou no fortalecimento de partidos de direita na Câmara dos Deputados, ao mesmo tempo em que provocou perdas para siglas do Centrão e da base do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O rearranjo político evidenciou um desempenho desigual entre as legendas governistas, enquanto a oposição ampliou sua presença.
Principal beneficiado pelas mudanças, o Partido Liberal (PL) aumentou sua bancada e manteve a posição de maior força na Casa. Apesar de não atingir a meta de ultrapassar os 100 parlamentares, a legenda chegou a 97 deputados, com saldo positivo expressivo de filiações — cerca de 20 entradas contra sete saídas. O partido, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, reforçou sua liderança no campo da direita.
Antes da janela, o PL contava com aproximadamente 87 deputados, número que foi ampliado após as novas adesões. O líder da sigla na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), avaliou o resultado de forma positiva. “Cansado, mas missão cumprida. Queríamos muito que chegasse pelo menos a 100 [deputados], mas somos gratos a Deus pelos 97”, afirmou.
Nos bastidores, lideranças apontam que o avanço da pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República influenciou a decisão de parlamentares que migraram para o PL. Em geral, as trocas de partido durante a janela são motivadas pela busca por melhores condições eleitorais, como maior acesso a recursos e estrutura para campanhas.
A composição das bancadas tem impacto direto na distribuição do fundo partidário e no tempo de propaganda eleitoral gratuita. No ano passado, cerca de R$ 1 bilhão foi dividido entre as siglas. Para as eleições deste ano, no entanto, a divisão seguirá baseada no resultado das urnas de 2022, e não nas mudanças mais recentes na Câmara.
Rodrigo Mendes
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