A Polícia Federal deflagrou, na tarde desta quinta-feira (9), a 10ª fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema montado para enfraquecer a credibilidade do Banco Central (BC) durante o processo de liquidação do Banco Master. A ação ocorreu em Brasília, onde foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo ministro André Mendonça. De acordo com a Polícia Federal, o principal alvo desta etapa é o publicitário Thiago Miranda, apontado como responsável por coordenar uma campanha de comunicação em favor do empresário Daniel Vorcaro.
Segundo as investigações, o grupo teria contratado influenciadores digitais para divulgar conteúdos que colocassem em dúvida a atuação do Banco Central no caso da liquidação do Banco Master.
Os contratos, conforme apurado pela PF, poderiam chegar ao valor de R$ 2 milhões e continham cláusulas de confidencialidade. Em troca, os influenciadores deveriam publicar conteúdos sustentando a tese de que o Tribunal de Contas da União (TCU) consideraria precipitada a decisão do Banco Central de encerrar as atividades da instituição financeira.
O suposto esquema já havia sido revelado em janeiro. Em depoimento prestado à Polícia Federal em maio, Thiago Miranda negou ter participado de qualquer ação destinada a descredibilizar órgãos públicos.
Conversas citam monitoramento da imprensa
As investigações também apontam que o publicitário estaria envolvido em um suposto monitoramento de adversários do banqueiro na imprensa.
Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicariam incômodo com reportagens publicadas pela jornalista Malu Gaspar. Em uma das conversas analisadas pelos investigadores, o empresário afirma que seria necessário "frear a Malu Gaspar" e acrescenta que a colunista "iria dar trabalho nos próximos dias".
Materiais foram apreendidos
Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu computadores, aparelhos celulares e documentos físicos que deverão passar por perícia e auxiliar no avanço das investigações sobre a suposta atuação do grupo. Até o momento, a corporação não divulgou detalhes sobre os próximos desdobramentos da operação.
Izabella Furtado
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