A Casa dos Ventos e a Vestas fecharam um contrato para o fornecimento de 184 turbinas eólicas, com capacidade instalada de 828 MW, destinadas a um novo parque eólico no Piauí. O empreendimento marca a retomada de grandes investimentos na indústria eólica brasileira, que vinha em ritmo reduzido desde 2023, diante da queda na assinatura de novos contratos e do excesso de energia disponível no sistema.
O projeto será implantado entre os municípios de Dom Inocêncio, Lagoa do Barro e Queimada Nova, e deve receber investimentos estimados em R$ 5 bilhões. Segundo as empresas, a maior parte da energia gerada será direcionada ao abastecimento de data centers instalados nas regiões Nordeste e Sudeste, além de empreendimentos ligados à produção de hidrogênio verde.
O cronograma prevê o início das obras de construção em 2026, com comissionamento final do parque em 2028. A Vestas ficará responsável não apenas pelo fornecimento dos aerogeradores, mas também pela execução do projeto de construção. Após a entrada em operação, a empresa assumirá os serviços de operação e manutenção do complexo eólico por um período de 25 anos.
O anúncio ocorre em um contexto de retração do setor eólico no país, que registrou a saída de fabricantes de aerogeradores nos últimos anos. Esse movimento foi associado ao excesso de energia no sistema elétrico e ao avanço da geração solar, que reduziu custos e impactou a contratação de novos projetos eólicos. O último contrato de grande porte envolvendo as duas empresas havia sido anunciado em abril de 2023, no valor de R$ 9 bilhões, para a implantação de 1,3 GW em parques localizados na Bahia e no Rio Grande do Norte.
O Piauí é atualmente o terceiro maior gerador de energia eólica do Brasil, com áreas que registram velocidades médias de vento acima de 12 metros por segundo. Ainda assim, há incerteza quanto aos impactos do novo parque sobre a rede elétrica estadual, uma vez que o estado figura entre os que mais sofrem cortes de geração determinados pelo Operador Nacional do Sistema (ONS). Entre 1º de janeiro de 2025 e a último dia 16 de dezembro, os cortes somaram 415 MW médios, com os maiores volumes registrados justamente em pontos de conexão localizados na região onde o novo empreendimento será instalado, chegando, em alguns casos, a quase 20% da geração total.
Davi Fernandes
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