Segundo dados divulgados nesta terça-feira (31) pelo Banco Central no Boletim de Estatísticas Fiscais, o setor público consolidado brasileiro registrou déficit primário de R$ 16,4 bilhões em fevereiro. O resultado representa uma melhora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit foi de R$ 19 bilhões, mesmo que ainda indique desequilíbrio entre receitas e despesas, desconsiderando os juros da dívida pública.
Com esse resultado, a dívida bruta do governo geral alcançou 79,2% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 10,2 trilhões. O índice é 0,5 ponto percentual maior do que o registrado no mês anterior. A alta foi influenciada principalmente pelos juros nominais apropriados, pela emissão líquida de dívida, pela valorização cambial e pela variação do PIB nominal.
As contas do governo central, que incluem Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, apresentaram déficit primário de R$ 30 bilhões em fevereiro. Já as empresas estatais tiveram saldo negativo de R$ 568 milhões no mês, acumulando R$ 4,16 bilhões de déficit no primeiro bimestre de 2026. Esse cálculo, no entanto, não considera empresas dos grupos Petrobras e Eletrobras.
Por outro lado, os governos regionais contribuíram para amenizar o resultado negativo ao registrarem superávit de R$ 13,7 bilhões em fevereiro. No acumulado de 12 meses, o setor público consolidado apresenta déficit primário de R$ 52,8 bilhões, o equivalente a 0,41% do PIB, número ligeiramente melhor do que o observado até janeiro.
Além disso, a dívida líquida do setor público (DLSP) chegou a 65,5% do PIB, somando R$ 8,4 trilhões, com aumento de 0,6 ponto percentual no mês. Esse indicador considera os descontos de reservas e ativos do governo e reflete impactos como juros, variação cambial, déficit primário e mudanças no PIB nominal, evidenciando a pressão contínua sobre as contas públicas brasileiras.