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Economia e Negócios

Ministro Guido Mantega mantém otimismo com inflação

Analistas, contudo, têm receio sobre os efeitos do corte de juros para o comportamento da inflação.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, não demonstrou a mesma preocupação do mercado com a inflação. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado nessa terça-feira, 13, ele disse que a inflação vista nos dois primeiros meses deste ano está em patamar menor do que o visto em idêntico período de 2011. "A inflação está controlada no País, o que dá possibilidade de mais ação do governo na política monetária e na política fiscal", disse.

Mantega lembrou que a taxa básica de juros teve de subir no primeiro semestre de 2011 para enfrentar o problema inflacionários, mas salientou que, no segundo semestre do ano, caíram. "Há dois dias, (o Banco Central) fez outra redução; o Brasil caminha a taxas mais normais, a taxa vistas em países mais parecidos com o Brasil", comparou.

Analistas, contudo, têm receio sobre os efeitos do corte de juros para o comportamento da inflação. Pesquisa feita pelo Banco Central e divulgada ontem mostrou que as previsões para os índices de inflação aumentaram. Pela primeira vez analistas avaliam que a inflação de 2013 será maior que a prevista para 2012.

Indústria

Mantega disse ainda que a indústria brasileira vive um momento particularmente difícil. Ele destacou também que a economia agrícola "foi muito bem" em 2011, com recorde de safra. "O Brasil vai bem em commodities, e isso nos ajuda a ter bom resultado comercial. Preferíamos ter desempenho melhor da indústria na exportação, mas a indústria vive um período particularmente difícil. Temos, então, que aproveitar os valores das commodities", enfatizou.

Mesmo com as dificuldades da economia internacional, Mantega avaliou que o Brasil "foi bem" no comércio exterior no ano passado. "Aumentamos as reservas e isso nos dá um lastro bom para eventuais problemas cambiais", disse.

A má notícia, de acordo com ele, é que a economia mundial vai desacelerar em 2012. Isso porque, na avaliação do ministro, as soluções dadas principalmente nos países europeus, como o equacionamento da dívida da Grécia e dos demais países, junto com políticas fiscais, levarão a economia a desacelerar. "Não só os avançados, mas também os emergentes serão afetados e terão crescimento menor."

Investimento

Mantega disse também que o Brasil tem um grande programa de investimento em curso. Segundo ele, o investimento está hoje em 19% do produto Interno Bruto (PIB) e deve ultrapassar os 20% neste ano - mas o ideal será caminhar para os 24%. "No ano passado o investimento cresceu 4,7%. Este ano, o desafio é crescer 10,8%", afirmou.

Para que isso se verifique, segundo o ministro, é preciso manter os investimentos, principalmente em infraestrutura. "Tem de aumentar oferta de logística, porque as exportações e importações estão mais fortes. Temos de reduzir o custo da logística, de porto, aeroportos e de energia elétrica, gás e petróleo", disse, destacando que as concessões dos aeroportos deverão ajudar nesse esforço de alta do investimento. Para Mantega, é importante ainda que o Brasil mantenha um mercado consumidor dinâmico.

Manufatura

Durante a audiência, o ministro da Fazenda falou também que é preciso enfrentar as dificuldades do setor industrial. "O setor industrial é o que mais está sofrendo com a crise. Começou em 2008 e até agora a situação não arrefeceu para o setor manufatureiro", avaliou. Ele disse também que, com o encolhimento dos mercados mundiais, o setor está "encolhido".

Isso ocorre, de acordo com o ministro, porque os países, em especial os asiáticos, dependem da exportação. "Estão todos desesperados para saber onde colocam seus produtos. É uma concorrência predatória", pontuou. Ele disse que o Brasil é um caso de mercado dinâmico que está sendo "ambicionado" por exportações desses países. "Isso causa um déficit comercial para o setor. E nos leva à valorização do real, que coloca nossos preços mais altos", disse.

Para Mantega, a situação não é nova para a indústria e está generalizada. "Desde 1991, os países desenvolvidos mais América Latina e Europa Emergente estão diminuindo a participação do produto industrial de seu PIB. "Só na Ásia está aumentando isso", disse, explicando que a Ásia usa mão de obra barata, não tem previdência, concede muito subsídios. "A situação ocorre antes mesmo da crise e se agrava com a crise."

O ministro disse que há um "travamento" dos mercados com a crise e isso leva o Brasil à situação atual. Ele lembrou que, em 2006, havia um equilíbrio entre exportação e importação para balança comercial de manufaturados. Para este ano, porém, ele disse que espera um déficit comercial de US$ 94 bilhões para o setor, com a importação de US$ 186 bilhões desses tipos de produtos. "É um problema difícil de enfrentar porque tem a ver com cenário mundial de desespero", concluiu.

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