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Economia e Negócios

Indecisão sobre a General Motors mobiliza trabalhadores e governos

Uma nova rodada de negociação deve definir o futuro dos 1,5 mil trabalhadores considerados excedente na montadora.

A reunião que vai decidir o futuro da unidade da General Motors em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, acontecerá na cidade. São aguardados os representantes da montadora e dos governos estadual e federal. A empresa aguarda uma proposta dos sindicalistas e alega excedente de pessoal. Somente o Classic está sendo produzido na unidade.

Enquanto aguardam uma definição, os mais de 7 mil trabalhadores voltaram ao trabalho, depois de uma paralisação que durou 24 horas - a terceira registrada no último mês. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, nas três paralisações a montadora teria deixado de faturar R$ 90 milhões.

Permanece o clima de tensão e silêncio entre os trabalhadores. Poucos aceitam comentar o assunto com a imprensa e os que aceitam pedem para não se identificar. "Está nas mãos de Deus, agora é torcer para sair um acordo e acabar essa tristeza", comentou um montador sobre o clima dentro da fábrica.

Durante a semana, sindicalistas criticaram a postura do governo federal em não se manifestar sobre o caso. Depois de uma reunião com a montadora, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a dizer que era positivo o saldo de empregos na GM no país. A fala do ministro revoltou os trabalhadores, que na manhã de quinta-feira invadiram a Via Dutra e pararam o trânsito nos dois sentidos por cerca de uma hora.

No mesmo dia, no Palácio dos Bandeirantes, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), depois de uma reunião com representantes dos trabalhadores demonstrou apoio aos metalúrgicos e prometeu procurar a GM para oferecer incentivos do Estado para investimento na planta da montadora no Vale do Paraíba.

Depois do apoio formal de Alckmin, a assessoria de imprensa do ministro Guido Mantega informou na manhã desta sexta-feira que o ministro não vai tolerar vai o descumprimento nos acordos de não demissão dos setores beneficiados pelo estímulo de redução de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dado pelo governo. O recado do ministro confronta a GM. Caso efetive a demissão dos 1,5 mil trabalhadores o governo interpretará como um descumprimento ao acordo.

A mobilização dos governos foi comemorada pelos sindicalistas. "Está claro que essa mudança de postura é fruto da mobilização dos trabalhadores, que nunca desistiram de lutar por seus empregos", afirmou o presidente do Sindicato, Antonio Ferreira de Barros, o Macapá, ao site da entidade.

O governo federal será representado pelo secretário de relações do Ministério do Trabalho, Manoel Messias Nascimento Melo. O secretário de Estado do Emprego, Carlos Ortiz, vai representar o governo estadual. Até o fim da tarde desta sexta o prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), não havia sido convidado para a reunião, que segundo a assessoria da prefeitura, está sendo organizada por Melo.

Produção. Segundo o Sindicato, somente o Classic está sendo produzido pela GM no Vale do Paraíba e, segundo estimativa da entidade, a produção caiu de 375 veículos por dia para 80 nesta sexta-feira.

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