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Economia e Negócios

Tarifaço dos Estados Unidos afeta exportações brasileiras

O Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, recuou 0,50% e fechou em 135.503 pontos.

As incertezas em torno da política tarifária dos Estados Unidos voltaram a pressionar os mercados financeiros nesta segunda-feira (14). O dólar registrou alta de 0,65% e encerrou o dia cotado a R$ 5,5837, maior patamar do mês de julho. Já o Ibovespa, principal indicador da Bolsa de Valores brasileira, recuou 0,50% e fechou em 135.503 pontos.

A reação do mercado reflete o nervosismo com os desdobramentos do chamado “tarifaço” anunciado na semana passada pelo presidente norte-americano Donald Trump. O republicano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o que provocou uma disparada de 2,28% no dólar frente ao real e queda acumulada de 3,59% no Ibovespa. A tarifa, que só passa a valer em agosto, já está gerando consequências econômicas.

Exportações canceladas e setor produtivo em alerta

Mesmo antes de entrar em vigor, a medida provocou reações imediatas no setor produtivo brasileiro. Exportadores de mel e pescados, por exemplo, já sofreram cancelamentos de pedidos por parte de compradores norte-americanos, que demonstram receio com o impacto da nova taxação.

O Grupo Sama, no estado do Piauí, teve a exportação de 585 toneladas de mel orgânico cancelada, parte já estava estocada em porto para embarque. No setor pesqueiro, 58 contêineres com peixes, camarões e lagostas foram desembarcados em três portos do Nordeste após a suspensão dos pedidos dos EUA.

Governo Lula reage e avalia retaliação

Diante do agravamento da crise, o Governo Federal iniciou uma articulação para buscar respostas à ofensiva comercial norte-americana. Ainda no domingo (13), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros e o presidente do Banco Central no Palácio da Alvorada. A reunião definiu medidas iniciais e abriu a possibilidade de acionar a lei da reciprocidade — que permite ao Brasil aplicar tarifas semelhantes a produtos importados dos EUA.

Nesta segunda-feira, o governo anunciou a criação de um comitê com empresários para avaliar alternativas. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) informou que o decreto que regulamenta a lei de retaliação será editado até esta terça-feira (15).

STF entra no debate e defende soberania nacional

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luís Roberto Barroso, também entrou no debate. Em carta divulgada no domingo, ele defendeu a democracia brasileira e criticou os argumentos utilizados por Trump, que citou o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF como um dos motivos para as novas tarifas.

“Diferentes visões de mundo não dão direito a ninguém de torcer a verdade”, escreveu Barroso, classificando a justificativa norte-americana como “uma compreensão imprecisa dos fatos”.

Tensão global e risco inflacionário

A política tarifária de Trump não se limita ao Brasil. O republicano também impôs tarifas de 30% sobre importações do México e da União Europeia, além de elevar tributos para produtos como cobre (50%) e itens farmacêuticos (até 200%).

A escalada tarifária reacende temores sobre a inflação global, uma vez que o aumento nos custos de produção pode se refletir no preço final dos produtos. Analistas apontam que o cenário pode forçar o Federal Reserve, banco central dos EUA, a manter os juros elevados por mais tempo — o que fortalece o dólar e afeta economias emergentes, como o Brasil.

Indicadores preocupam mercado interno

Além do cenário externo, o mercado brasileiro também reagiu à divulgação do IBC-Br (Índice de Atividade Econômica do Banco Central), considerado uma prévia do PIB. O indicador apontou queda de 0,7% - a primeira retração do ano.

No acumulado, o dólar tem alta semanal de 2,28% e mensal de 2,11%, mas ainda apresenta queda de 10,22% no ano. O Ibovespa acumula baixa de 3,59% na semana, 1,98% no mês e alta de 13,22% no ano.

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