O risco Brasil voltou a registrar alta e fechou o pregão desse sábado (16) em 124,07 pontos durante o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O movimento reacende a preocupação do mercado financeiro com a percepção de risco relacionada à dívida pública brasileira.
A recente elevação ocorre poucos dias após o indicador ter atingido um patamar mais baixo no atual mandato, quando marcou 116,27 pontos em 8 de maio — o menor nível desde fevereiro de 2020. A variação indica uma mudança rápida no sentimento dos investidores, influenciada por fatores internos e externos.
O risco Brasil é medido por meio do Credit Default Swap (CDS), instrumento utilizado como referência para avaliar a probabilidade de calote da dívida soberana. Na prática, ele funciona como um seguro: quanto maior a pontuação, maior o custo e a percepção de risco atribuída ao país pelos investidores internacionais.
A métrica é expressa em pontos-base, sendo que cada 100 pontos equivalem a 1% adicional de juros em relação aos títulos norte-americanos. O indicador também sofre influência de condições globais, como fluxo de capitais e aversão ao risco nos mercados internacionais. Uma das referências mais utilizadas no setor é o índice EMBI+ Brasil, calculado pelo banco J.P. Morgan.
Nos últimos anos, o risco Brasil apresentou forte volatilidade. Durante o Governo Jair Bolsonaro (PL), o indicador chegou ao menor nível recente em fevereiro de 2020, quando marcou 91,80 pontos, antes do impacto da pandemia de covid-19. Na sequência, a crise sanitária global elevou significativamente os prêmios de risco em diversos países emergentes.
Já no início do atual governo, em março de 2023, o índice alcançou seu pior patamar recente, próximo de 280 pontos, em meio a preocupações do mercado com o cenário fiscal brasileiro e turbulências no sistema financeiro internacional, como a quebra do Silicon Valley Bank nos Estados Unidos.
A recente oscilação reforça a atenção de investidores para o desempenho das contas públicas e o ambiente econômico global, fatores que seguem influenciando a percepção de risco sobre o Brasil.
Wanessa Gommes
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