Analistas do mercado financeiro voltaram a revisar para cima as projeções de inflação e, ao mesmo tempo, reduziram a expectativa de crescimento econômico para os próximos anos. Os dados constam no mais recente Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (4) pelo Banco Central.
Esta é a oitava semana consecutiva de aumento nas estimativas inflacionárias. Para 2026, a previsão passou de 4,86% para 4,89%, com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial da inflação no país. O movimento de alta nas projeções começou ainda em março, quando a expectativa estava em 3,9%.
Para os anos seguintes, o cenário mostra estabilidade com leves ajustes. Em 2027, a inflação segue projetada em 4%. Já para 2028, houve pequena elevação, de 3,61% para 3,64%, enquanto a estimativa para 2029 permanece em 3,5%.
No campo da atividade econômica, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) se manteve em 1,85% para 2026. No entanto, para 2027, houve uma revisão para baixo, passando de 1,80% para 1,75%, indicando uma percepção mais cautelosa em relação à expansão da economia.
Em relação à política monetária, o mercado segue prevendo continuidade no ciclo de queda da taxa básica de juros. A taxa Selic já recuou de 15% para 14,50% nas últimas decisões do Comitê de Política Monetária, e a expectativa é que continue em trajetória de redução até atingir 10% em 2029. A projeção anterior indicava um patamar ligeiramente menor, de 9,75%.
O conjunto de dados reflete uma visão mais cautelosa do mercado, que aponta pressão inflacionária persistente ao mesmo tempo em que prevê um ritmo mais moderado de crescimento econômico nos próximos anos.
Wanessa Gommes
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