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Eleições 2022

PSDB trata reeleição de Garcia como prioridade enquanto Doria patina

Planejamento estratégico dos tucanos prevê R$ 21 milhões para garantir sobrevida de atual governador.
Por Estadão Conteúdo

A cúpula do PSDB trata como prioridade nacional neste ano a reeleição do governador Rodrigo Garcia em São Paulo, enquanto João Doria ainda tenta se viabilizar na corrida presidencial. Os tucanos reservam a maior fatia de recursos do Fundo Eleitoral da sigla entre candidatos a Executivos estaduais a Garcia. Serão R$ 21 milhões na expectativa de manter o poder no Estado administrado pela legenda há 28 anos e garantir projeção nacional.

Garcia é tucano filiado há pouco tempo – fez carreira política no antigo DEM, hoje União Brasil, resultante da fusão com o PSL – e precisa se tornar conhecido. Ainda com baixos índices nas pesquisas de intenção de votos, figura atrás de Fernando Haddad (PT), apoiado por Luiz Inácio Lula da Silva, e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ungido pelo presidente Jair Bolsonaro.

Garcia detém a máquina pública para alavancar a candidatura, mas enfrenta, como fator de desgaste, a impopularidade de Doria. Para reverter essa situação, o PSDB destinará ao candidato valor equivalente ao teto estabelecido pela Justiça Eleitoral para o Estado. O atual governador vai receber bem mais do que Doria há quatro anos, quando disputou o Palácio dos Bandeirantes e ficou com R$ 6,2 milhões do partido.

Não só a campanha de São Paulo será agraciada com altas cifras. Pelo planejamento estratégico do partido, os outros dois Estados comandados por tucanos, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul, também terão o limite: R$ 9,1 milhões para os gaúchos, que podem lançar Eduardo Leite, que renunciou de olho no Planalto, e R$ 4,9 milhões para os sul-mato-grossenses, que terão como candidato Eduardo Riedel, ex-secretário do governador Reinaldo Azambuja.

Ao todo serão nove postulantes para chefiar Executivos estaduais. Além de Garcia, Leite e Riedel, estão em páreos regionais Raquel Lyra (PE), Pedro Cunha Lima (PB), Rodrigo Cunha (AL), Alessandro Vieira (SE), Izalci Lucas (DF) e Silvestri Filho (PR). Esses nomes terão menos recursos se Doria for candidato ao Planalto, uma vez que uma campanha presidencial custaria R$ 65 milhões dos R$ 314 milhões do Fundo Eleitoral tucano. Em 2018, foram R$ 185,8 milhões. Geraldo Alckmin, então candidato a presidente, ficou com R$ 53,6 milhões da legenda.

Resistência

Em um gesto para tentar reduzir a resistência da bancada do PSDB na Câmara a Doria, aliados do ex-governador na Executiva dizem que os 22 deputados federais com mandato receberão o teto estabelecido para disputas proporcionais: R$ 2,4 milhões. Em tese, a medida esvaziaria a narrativa de que uma campanha presidencial drenaria recursos.

A maioria da bancada, porém, pressiona o ex-governador a desistir do Planalto. Em um jantar em Brasília na quarta-feira passada na casa do líder tucano na Câmara, Adolfo Viana (BA), os deputados deram uma trégua a Doria, mas demonstraram ceticismo com o projeto presidencial.

No caso de São Paulo, aliados de Garcia dizem que o problema da candidatura de Doria é político e estratégico: a alta rejeição pode contaminar a campanha de reeleição que precisará de eleitores da faixa bolsonarista para chegar ao segundo turno – por isso há pressão pela desistência de Doria até no Estado. “A questão não é financeira. A candidatura de João Doria tira votos do Rodrigo Garcia em uma eleição que já não será fácil”, disse o ex-senador tucano José Aníbal (SP).

Quadros ligados a Garcia mas que são próximos a Doria argumentam que o PSDB precisa fazer da campanha a governador de São Paulo a principal disputa. Na campanha nacional, dizem, não há a menor chance de o partido vencer e a insistência em um nome acentuará divisões internas.

Terceira via

Um eventual apoio do PSDB à senadora Simone Tebet (MDB-MS), segundo fontes do partido, não atrapalha a campanha paulista. Já a sobrevida de Garcia no Bandeirantes é considerada crucial para o futuro político do partido, que está em frangalhos e perdeu a capacidade de organização nacional durante a ascensão do bolsonarismo.

Tucanos afirmam que é positivo ter no comando de São Paulo um candidato que é distante tanto de Bolsonaro como de Lula e pretendem vender a ideia aos eleitores de que isso servirá como um sistema de freios e contrapesos ao Planalto, seja lá quem se torne o vencedor. Procurado, Garcia não quis se manifestar.

“Rodrigo Garcia vencerá a eleição em São Paulo. Nacionalmente, o partido avança ciente do compromisso com a democracia brasileira, com candidaturas importantes nos Estados e com a construção fundamental da terceira via, onde o PSDB apresenta João Doria”, afirmou Marco Vinholi, presidente do PSDB-SP e coordenador da pré-campanha do ex-governador.

Enquanto tenta resolver o impasse, Doria segue em ritmo intenso. Ele já recebeu R$ 2,8 milhões do PSDB e reforçou o caixa com doações de pessoas físicas. A pré-campanha do ex-governador é a mais estruturada da terceira via. Ele usa jatos alugados em viagens e seu comitê em São Paulo tem hoje 25 integrantes.

Para lembrar

Tucanos comandam Estado há 28 anos

Mário Covas

O PSDB assumiu o Palácio dos Bandeirantes em 1995, após Mário Covas vencer, no ano anterior, Francisco Rossi, ex-prefeito de Osasco.

Reeleição

Na tentativa de reeleição, Covas chegou ao segundo turno pouco à frente de Marta Suplicy. Na última etapa da eleição, a petista declarou apoio ao tucano contra o ex-governador Paulo Maluf, que chegou em primeiro lugar ao segundo turno e foi derrotado.

Era Alckmin

Geraldo Alckmin, hoje pré-candidato a vice de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi por duas vezes vice de Covas e assumiu o governo paulista após a morte do correligionário em 2001. Foi reeleito em 2002 e venceu novamente as disputas ao Bandeirantes em 2010 e 2014.

Governo Serra

O senador José Serra venceu a eleição para o governo de São Paulo em 2006. Em 2010, ele renunciou para disputar a Presidência da República, quando foi derrotado por Dilma Rousseff (PT).

Gestão Doria

João Doria foi eleito, em segundo turno, ao governo do Estado em 2018 após uma disputa acirrada com Márcio França (PSB), que havia assumido o Bandeirantes com a renúncia de Alckmin. Este disputou o Planalto e ficou em 4º lugar no 1º turno.

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