De 15 de janeiro a 16 de julho, a Justiça Eleitoral já soma 104 pesquisas registradas para as eleições de 2026. Os dados podem ser consultados na página do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), no campo Pesquisas Eleitorais .
Na visão do professor e estatístico Jefferson Leite, o número é alto, inclusive, sendo bem maior que o registrado no estado do Maranhão. Ele lembrou que nas eleições passadas o Piauí foi o estado que mais registrou pesquisas. Segundo ele, os dados revelam algo importante, que partidos, políticos e o eleitorado têm demandado por informação qualificada ao longo do processo eleitoral.
"As pesquisas são importantes para comparar resultados, observar a consistência entre esses levantamentos de diferentes institutos e principalmente acompanhar a evolução das tendências ao longo do tempo, em vez de se basear em apenas uma pesquisa isolada. Quanto mais informação de qualidade houver, maior é a transparência do processo democrático", analisou Jefferson Leite em entrevista ao GP1 .
De acordo com o estatístico, as pesquisas são ferramentas de diagnóstico e ajudam partidos e coligações a compreender melhor o cenário eleitoral, identificar quais são as principais preocupações da população, avaliar a percepção sobre candidatos e governos e acompanhar a evolução da campanha ao longo do tempo.
"Além disso, ela permite direcionar melhor a comunicação, priorizar regiões do eleitorado e temas que realmente importam para os cidadãos, não só para políticos. Quando realizadas com rigor metodológico, elas reduzem as decisões baseadas apenas em percepções e aumentam a capacidade de planejamento estratégico ajudando assim tanto o eleitor como os políticos", analisa o estatístico.
Impacto para o eleitor
Jefferson Leite comenta que para o eleitor, as pesquisas devem ser vistas como um retrato de um determinado momento, um recorte daquele momento e não como uma previsão do resultado da eleição, que é como as pessoas muitas vezes esperam. "O papel da pesquisa é informar mostrando tendência e cenário daquele momento. A decisão do voto ela continua sendo individual e deve considerar a trajetória e a capacidade dos candidatos".
Ele frisou ainda que a pesquisa eleitoral não substitui a vontade popular, sendo apenas um instrumento científico para medir a opinião pública em um determinado momento. "O resultado oficial será sempre aquele definido nas urnas. Até lá, as pesquisas cumprem o papel de informar a sociedade e contribuir para um debate mais baseado em dados do que meramente em percepções".
Com colaboração do repórter Daniel Silva