O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, defendeu nesta quinta-feira (26) a criação de uma federação partidária entre a legenda e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) para as eleições deste ano. O convite foi formalizado na quarta-feira (25), durante reunião entre integrantes das executivas nacionais das duas siglas, em Brasília.
Em entrevista ao Metrópoles, Edinho declarou que o Brasil atravessa “um momento histórico de definição de futuro” e sustentou que, nesse contexto, as federações partidárias terão papel decisivo na condução da agenda nacional. Para o presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), a união com o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), com foco na construção de um projeto comum para o país, representaria “um grande acerto”.
O dirigente afirmou ainda que a proposta garante a autonomia do PSol, justamente um dos pontos que vêm gerando divergências internas. Parte da militância teme que a federação prejudique candidaturas próprias nos estados, ao abrir espaço prioritário para nomes do PT. Atualmente, o PSol é presidido por Paula Coradi.
Apoios e resistências
Nos bastidores, interlocutores apontam que, até o momento, apenas a corrente Revolução Solidária apoia formalmente a iniciativa. O grupo é ligado ao ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, que já declarou posição favorável à federação. A tendência defende que o PSol componha aliança não só com o PT, mas também com o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), o Partido Verde (PV) e a Rede Sustentabilidade (Rede).
Atualmente, o PSol integra federação com a Rede, enquanto o PT está federado com PCdoB e PV. “A direita está se organizando em federações, temos que fazer o mesmo, a história exige esse movimento”, declarou Edinho. Ele afirmou ainda que pautas como o fim da jornada 6x1, tarifa zero, transição energética, reforma da renda, reforma política, segurança pública sob nova perspectiva, universalização da educação integral e fortalecimento do SUS não podem ser enfraquecidas.
O que é federação partidária
A federação partidária é uma aliança formal entre dois ou mais partidos que passam a atuar como uma única legenda por no mínimo quatro anos. Diferentemente das coligações tradicionais, o modelo exige atuação conjunta contínua em níveis nacional, estadual e municipal, com programa comum, bancada unificada no Congresso e decisões compartilhadas durante toda a vigência do acordo.
O primeiro pleito a adotar o modelo foi o das eleições de 2022, enquanto a estreia nas eleições municipais ocorreu em 2024.
Próximos passos
A proposta também divide opiniões dentro do próprio PT. Parte da direção considera a federação estratégica para fortalecer o campo progressista, enquanto outra ala avalia que há pouco interesse do PSol diante das divergências internas.
Durante a reunião na sede do PT, além de Paula Coradi, participaram a deputada federal Sâmia Bomfim e o tesoureiro nacional do PSOL, Tiago Paraíba, que esclareceram dúvidas sobre o funcionamento da federação. A posição oficial da sigla será definida em reunião do Diretório Nacional marcada para 7 de março. No encontro, também foram discutidas alianças para as eleições em estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Sergipe e Santa Catarina.
Izabella Furtado
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