A equipe do filme de Roman Polanski "The ghost writer" não escondeu a tristeza nesta sexta-feira ao ver apresentado o thriller no 60º Festival de Berlim na ausência do cineasta, em prisão domiciliar na Suíça.
"Não ter Roman conosco, no centro desta tribuna, é muito estranho para nós", declarou durante uma entrevista à imprensa Robert Benmussa, que produziu com Alain Sarde o filme, um dos fortes candidaatos ao Urso de Ouro.
"Apesar de sua prisão, Roman continuou a supervisionar a pós-produção do filme que o advogado suíço levava para ele", explicou. "Em seu chalé, ele aperfeiçoou os últimos detalhes", concluiu Benmussa, prestando homenagem à equipe técnica e, em particular, ao músico Alexandre Desplat que compôs a trilha sonora sem poder encontrar-se com Roman Polanski.
"É um criador intenso, que teve uma vida intensa e estou orgulhoso de ter trabalhado com ele" declarou o ex-James Bond, Pierce Brosnan, que no filme interpreta o personagem Lang, um ex-primeiro-ministro britânico inspirado em Tony Blair.
"(...) É um homem extraordinário. Foi uma experiência mágica, que não esquecerei jamais", prosseguiu. "Estou muito chocado, muito entristecido com sua prisão", declarou o ator irlandês de 56 anos.
Confiei muito mais nele trabalhando juntos do que em qualquer outro diretor", afirmou por sua vez Ewan McGregor, que interpreta o próprio escritor. "É como acontece com a nossa mãe: ele tem sempre uma tendência desagradável de ter razão!", brincou o ator britânico que, aos 38 anos, já trabalhou com George Lucas, Woody Allen e Ron Howard.
O francês Alexandre Desplat - indicado ao Oscar de melhor trilha sonora por "Fantástico Sr. Raposo" de Wes Anderson -, prestou uma vibrante homenagem ao autor de "O pianista" e "Chinatown". Estar trabalhando com ele decuplica nosso talento", disse. "Ele transmite uma energia vibrante, que nos transforma".
A arte imita a vida
"The ghost writer" é uma análise cáustica do cineasta franco-polonês sobre o assédio da mídia. "Não queremos que isso seja interpretado como uma tomada de posição num assunto no qual não gostaríamos de nos misturar", explicou o diretor do festival, Dieter Kosslick.
Baseado no romance do cronista político e escritor Robert Harris, "The ghost writer" acompanha a vida de Adam Lang (Pierce Brosnan), um ex-primeiro-ministro britânico que recorda muito a figura de Blair.
Quando seu "escritor fantasma" (alguém que assina seus textos por ele) morre, o editor recruta um novo escritor (Ewan McGregor) para concluir o manuscrito.
Instalado na luxuosa mansão de Lang numa ilha desolada, o novo escritor investiga o passado político do homem que vai retratar e seu comprometimento polêmico com os Estados Unidos no conflito iraquiano.
A esposa (Olivia Williams), a secretária (Kim Cattrall, a ninfomaníaca Samantha da série "Sex and the City") e um velho amigo (Tom Wilkinson) do político vão às vezes direcionar o escritor e às vezes afastá-lo da verdade.
Diálogos vivos e engraçados, e a encenação de um bom suspense embarcam o espectador no thriller no qual Polanski demonstra toda a maestria do diretor de "Busca frenética", com Harrison Ford.
McGregor compõe maravilhosamente o personagem num jogo de poder do qual é tanto testemunha quanto instrumento.
Tão carismático quanto incompreensível, Adam Lang personifica o homem de poder enredado em zonas de sombra, habituado a ser servido, prestes a manipular as pessoas à volta para favorecer sua carreira.
Brutalmente jogado à lama - ele teria favorecido o sequestro de supostos terroristas islamistas torturados pela CIA -, Lang se vê arrastado ao pelourinho, ao vivo, na televisão.
É obrigado a permanecer nos Estados Unidos para fugir da justiça de seu país - uma experiência que não deixa de lembrar a de Polanski, que ficou mais de 30 anos sem pisar em solo americano após ter fugido do processo que o persegue ainda hoje.
"Não ter Roman conosco, no centro desta tribuna, é muito estranho para nós", declarou durante uma entrevista à imprensa Robert Benmussa, que produziu com Alain Sarde o filme, um dos fortes candidaatos ao Urso de Ouro.
"Apesar de sua prisão, Roman continuou a supervisionar a pós-produção do filme que o advogado suíço levava para ele", explicou. "Em seu chalé, ele aperfeiçoou os últimos detalhes", concluiu Benmussa, prestando homenagem à equipe técnica e, em particular, ao músico Alexandre Desplat que compôs a trilha sonora sem poder encontrar-se com Roman Polanski.
"É um criador intenso, que teve uma vida intensa e estou orgulhoso de ter trabalhado com ele" declarou o ex-James Bond, Pierce Brosnan, que no filme interpreta o personagem Lang, um ex-primeiro-ministro britânico inspirado em Tony Blair.
"(...) É um homem extraordinário. Foi uma experiência mágica, que não esquecerei jamais", prosseguiu. "Estou muito chocado, muito entristecido com sua prisão", declarou o ator irlandês de 56 anos.
Confiei muito mais nele trabalhando juntos do que em qualquer outro diretor", afirmou por sua vez Ewan McGregor, que interpreta o próprio escritor. "É como acontece com a nossa mãe: ele tem sempre uma tendência desagradável de ter razão!", brincou o ator britânico que, aos 38 anos, já trabalhou com George Lucas, Woody Allen e Ron Howard.
O francês Alexandre Desplat - indicado ao Oscar de melhor trilha sonora por "Fantástico Sr. Raposo" de Wes Anderson -, prestou uma vibrante homenagem ao autor de "O pianista" e "Chinatown". Estar trabalhando com ele decuplica nosso talento", disse. "Ele transmite uma energia vibrante, que nos transforma".
A arte imita a vida
"The ghost writer" é uma análise cáustica do cineasta franco-polonês sobre o assédio da mídia. "Não queremos que isso seja interpretado como uma tomada de posição num assunto no qual não gostaríamos de nos misturar", explicou o diretor do festival, Dieter Kosslick.
Baseado no romance do cronista político e escritor Robert Harris, "The ghost writer" acompanha a vida de Adam Lang (Pierce Brosnan), um ex-primeiro-ministro britânico que recorda muito a figura de Blair.
Quando seu "escritor fantasma" (alguém que assina seus textos por ele) morre, o editor recruta um novo escritor (Ewan McGregor) para concluir o manuscrito.
Instalado na luxuosa mansão de Lang numa ilha desolada, o novo escritor investiga o passado político do homem que vai retratar e seu comprometimento polêmico com os Estados Unidos no conflito iraquiano.
A esposa (Olivia Williams), a secretária (Kim Cattrall, a ninfomaníaca Samantha da série "Sex and the City") e um velho amigo (Tom Wilkinson) do político vão às vezes direcionar o escritor e às vezes afastá-lo da verdade.
Diálogos vivos e engraçados, e a encenação de um bom suspense embarcam o espectador no thriller no qual Polanski demonstra toda a maestria do diretor de "Busca frenética", com Harrison Ford.
McGregor compõe maravilhosamente o personagem num jogo de poder do qual é tanto testemunha quanto instrumento.
Tão carismático quanto incompreensível, Adam Lang personifica o homem de poder enredado em zonas de sombra, habituado a ser servido, prestes a manipular as pessoas à volta para favorecer sua carreira.
Brutalmente jogado à lama - ele teria favorecido o sequestro de supostos terroristas islamistas torturados pela CIA -, Lang se vê arrastado ao pelourinho, ao vivo, na televisão.
É obrigado a permanecer nos Estados Unidos para fugir da justiça de seu país - uma experiência que não deixa de lembrar a de Polanski, que ficou mais de 30 anos sem pisar em solo americano após ter fugido do processo que o persegue ainda hoje.
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