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Filme "Heleno" suprime o jogador genial para privilegiar o craque-problema

Rodrigo Santoro estrela longa de José Henrique Fonseca sobre talentoso jogador que era viciado em éter e sifilítico.

Imagem: Fernanda Vasconcellos/AEClique para ampliarRodrigo Santoro no longa Rodrigo Santoro no longa "Heleno"
José Henrique Fonseca admite que, em vários momentos, chegou a se perguntar - “Por que estou fazendo este filme? Por que não desisto?” O espectador, mesmo admirando a beleza da fotografia em preto e branco e o cuidado cenográfico, a excelência da interpretação (de Rodrigo Santoro), talvez faça uma pergunta semelhante diante de Heleno - por que estou vendo este filme? Porque Heleno, que parecia um grande personagem, não se caracteriza como tal na estreia de hoje. A comparação possível talvez seja Touro Indomável, de Martin Scorsese, sobre o pugilista Jake La Motta. Outro filme sobre esporte, o boxe no lugar do futebol. Outro personagem que não é simpático, que não incita à empatia.

Touro Indomável foi uma das referências assumidas de Rodrigo Santoro e cabe responder logo à pergunta inicial. O entusiasmo de Rodrigo pelo projeto - e pelo personagem - era tão grande que contaminava o diretor. E Fonseca, com uma franqueza até mesmo surpreendente, revela. “Sou bipolar, sujeito a mudanças de comportamento que criam dificuldades para as pessoas que me cercam e para mim. O caso do Heleno era especial, mas eu queria entender o problema dele, as oscilações dele, até como forma de administrar as minhas.”

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