O ditador venezuelano Nicolás Maduro tem enfrentado um clima de tensão interna e externa nos últimos meses, em meio à mobilização militar dos Estados Unidos no Caribe e as novas acusações de vínculos do regime com o Cartel de los Soles, segundo reportagem do jornal The Telegraph . Ex-funcionários do chavismo afirmam que o líder tem adotado medidas de proteção reforçadas, enquanto Washington amplia ações para pressionar o governo venezuelano e desestabilizar sua estrutura de poder.

De acordo com as fontes, o governo americano, agora sob a liderança de Donald Trump, passou a classificar a Venezuela como um “narcoestado”, devido ao suposto envolvimento do regime com o Cartel de los Soles. A designação reforça suspeitas de vínculos entre altos oficiais chavistas e redes de tráfico de drogas.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Nicolás Maduro

Um ex-membro do Partido Socialista relatou que Maduro estaria especialmente apreensivo com a possibilidade de traição por parte de aliados próximos. O ditador receia tanto um golpe interno quanto um eventual ataque militar dos Estados Unidos contra alvos estratégicos dentro do país. James Story, último embaixador dos EUA na Venezuela, afirmou ao Telegraph que “tinha certeza de que Maduro não estava dormindo bem”.

A imprensa americana noticiou recentemente que Trump autorizou medidas secretas para desestabilizar ainda mais o regime em Caracas. A nova classificação do Cartel de los Soles como organização terrorista estrangeira também ampliou o alcance de ações militares norte-americanas, permitindo que o Pentágono ataque estruturas e bens vinculados ao grupo e, por consequência, ao próprio regime chavista.

Apesar das pressões, Maduro tem mantido a retórica de enfrentamento em aparições públicas. Em discursos recentes, o ditador condenou a presença militar dos EUA no Caribe e pediu apoio de aliados internos e externos. Na última semana, surpreendeu ao admitir a possibilidade de uma conversa “cara a cara” com Trump, gesto interpretado como tentativa de reduzir tensões e reforçar sua posição política.

Para Victor Mijares, especialista em forças armadas venezuelanas da Universidade dos Andes (Colômbia), a abertura de um canal paralelo de comunicação entre Maduro e Trump pode ter efeito contrário ao desejado. Segundo ele, a notícia pode abalar a confiança entre as figuras mais próximas do ditador e abrir espaço para traições. O analista classificou a iniciativa como um possível “presente envenenado”, sugerindo que o simples rumor de negociações secretas já representa risco para a estabilidade interna do regime.

Andrés Izarra, ex-ministro do Turismo da Venezuela e hoje crítico do chavismo no exílio, afirmou ao Telegraph que o círculo íntimo de Maduro permanece coeso não por lealdade política, mas por falta de alternativas. Segundo ele, muitos altos funcionários temem perseguições caso o regime caia. O ex-ministro explicou ainda que as forças armadas venezuelanas foram estruturadas para impedir golpes internos: comunicações entre unidades são limitadas, e militares são mantidos sob constante vigilância, dificultando qualquer tentativa de articulação contra o governo.

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