Um tribunal da Coreia do Sul condenou nesta quinta-feira (19) o ex-presidente Yoon Suk Yeol , de 65 anos, à prisão perpétua por insurreição. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Distrito Central de Seul, que considerou ilegal e inconstitucional a decretação de lei marcial no fim de 2024, medida que mergulhou o país na mais grave crise institucional desde a redemocratização.

Segundo a sentença, Yoon tentou paralisar a Assembleia Nacional da Coreia do Sul ao enviar tropas e forças de choque ao Parlamento logo após anunciar o estado de exceção em rede nacional. Para os juízes, a ação teve o objetivo deliberado de subverter a ordem constitucional e enfraquecer pilares democráticos. O Ministério Público havia solicitado a pena de morte, rejeitada pela corte. Embora a legislação sul-coreana ainda preveja a execução, o país não aplica a sentença desde 1997.

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Presidente da Coreia do Sul, Yoon Suk Yeol

A crise começou em 3 de dezembro de 2024, em meio a um impasse orçamentário com a oposição, majoritária no Legislativo. Ao justificar a medida, o então presidente alegou, sem apresentar provas, que o país estaria sendo infiltrado por forças comunistas ligadas à China e à Coreia do Norte. A lei marcial durou cerca de seis horas, tempo suficiente para mobilizar protestos em massa e desencadear uma reação parlamentar que suspendeu o decreto e abriu caminho para o processo que culminou na sua destituição pelo Tribunal Constitucional.

Detido em janeiro de 2025 após semanas de tensão e cerco à residência oficial, Yoon tornou-se o primeiro presidente em exercício do país a ser preso. Ex-promotor, ele governou entre 2022 e 2025 e já havia sido condenado a cinco anos de prisão por obstrução da Justiça e abuso de poder. Atualmente, o país é comandado por Lee Jae Myung, adversário histórico de Yoon e vencedor das eleições antecipadas convocadas após a cassação.