Nesta sexta-feira (13), foi anunciado pelo Partido Comunista de Cuba (PCC), o único partido autorizado a atuar no país, que representantes do regime mantiveram conversas recentes com integrantes do governo dos Estados Unidos . A revelação ocorre um dia após a libertação de 51 prisioneiros, em meio a negociações conduzidas com o Vaticano.

Em comunicado divulgado nas redes sociais, o partido informou que as tratativas envolveram as principais lideranças do país. “Liderados pelo General do Exército Raúl Castro Ruz, como líder da Revolução, e pelo Primeiro Secretário do Comitê Central do Partido Comunista e Presidente da República, Miguel Díaz-Canel Bermúdez, juntamente com as mais altas estruturas do Partido, do Estado e do Governo, autoridades cubanas realizaram recentemente conversas com representantes do governo dos EUA”, diz a nota.

Foto: Reprodução/ TRT
Bandeira dos EUA e Cuba juntas

Por meio de uma mensagem gravada, Díaz-Canel explicou que o diálogo com Washington teve como objetivo buscar soluções para as “diferenças” existentes entre as duas administrações. Segundo o líder cubano, a intenção inicial foi identificar os principais pontos de conflito e avaliar possíveis caminhos para solucioná-los. Ainda assim, ele ressaltou que qualquer entendimento concreto entre os países ainda está distante. O regime cubano destacou também que as negociações envolvem um “processo muito sensível”. Entre os temas centrais discutidos nas conversas estaria a tentativa de evitar uma escalada de tensões que leve a um confronto direto entre as duas nações.

Nos últimos meses, os Estados Unidos intensificaram a pressão sobre a ilha, inclusive com medidas que bloqueiam importações de petróleo destinadas ao país. Cuba produz atualmente apenas cerca de um terço do petróleo bruto necessário para suprir sua demanda energética.

Nas últimas semanas, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou repetidamente que integrantes de sua administração estavam em contato com autoridades cubanas. Durante muito tempo, Havana negou a existência dessas conversas, posição que deixou de ser reiterada nas semanas mais recentes.

Já em janeiro, fontes americanas informaram ao jornal The Wall Street Journal que o governo dos EUA estaria procurando interlocutores ligados ao regime cubano que pudessem colaborar para viabilizar um acordo que resultasse na saída de Miguel Díaz-Canel e de seus aliados até o final do ano.

Sem anúncio no momento

Na quinta-feira, o regime de Cuba anunciou a libertação de 51 prisioneiros, mas sem mencionar qualquer relação com pressões exercidas pelo governo norte-americano.