A Guarda Revolucionária do Irã declarou que irá incendiar qualquer navio que tente atravessar o Estreito de Ormuz, fechado desde o último sábado (28), após os ataques militares dos Estados Unidos e de Israel contra Teerã. O bloqueio interrompe cerca de 20% do fluxo global de petróleo e já provoca um grande impacto no mercado internacional.
A ameaça foi feita nesta segunda-feira (2) pelo chefe da Guarda Revolucionária à mídia estatal iraniana, após o assassinato do líder supremo do país, Ali Khamenei, morto durante bombardeios. O Estreito de Ormuz é a principal rota marítima do petróleo mundial, ligando o Golfo Pérsico ao Oceano Índico. Pela via passam diariamente milhões de barris de petróleo e grandes volumes de gás natural liquefeito produzidos por países como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Iraque e o próprio Irã.
Desde o bloqueio, o preço do barril de petróleo já subiu 10% e chegou a US$ 80. Analistas projetam que a cotação pode atingir US$ 100 caso a escalada do conflito continue. Os mercados asiáticos são os mais afetados, especialmente a China, principal importadora do petróleo iraniano.
Os ataques contra o Irã começaram no sábado (28), quando Estados Unidos e Israel bombardearam mais de 130 cidades. Segundo a Sociedade do Crescente Vermelho iraniana, ao menos 550 pessoas morreram.
No domingo (2), o conflito se ampliou com ataques entre o Hezbollah e Israel, incluindo ofensiva contra uma base militar em Haifa. Em Israel, nove pessoas morreram e cerca de 20 ficaram feridas. Os EUA também registraram seis mortes de militares, três delas em ataque ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, no Golfo Pérsico. Em pronunciamento, o presidente Donald Trump afirmou que novas mortes podem ocorrer e prometeu vingança.