Os líderes europeus se encontram por dois dias a partir desta quinta-feira (23), no Chipre, para discutir ações capazes de conter a escalada dos preços dos combustíveis e viabilizar um empréstimo à Ucrânia . O encontro de chefes de Estado e de governo ocorre sob o receio de uma nova crise energética prolongada e diante da necessidade de alinhar respostas conjuntas ao aumento de custos que afeta famílias e empresas.
A reunião informal do Conselho Europeu deve analisar a implementação do plano “Accelerate EU”, apresentado pela Comissão Europeia como uma proposta para estruturar e fortalecer a reação dos países do bloco. Ao contrário de medidas adotadas em momentos anteriores, o plano não contempla uma nova liberação direta de recursos europeus. Em vez disso, propõe um conjunto de instrumentos para ampliar a capacidade de atuação dos governos nacionais.
Entre as iniciativas está a flexibilização temporária das regras de auxílio estatal, permitindo redução de impostos e ações emergenciais voltadas aos setores mais sensíveis, além de suporte às populações mais impactadas pela inflação no setor energético. Bruxelas também aposta em acelerar a transição para fontes de energia limpa como resposta de longo prazo à crise. A estratégia prevê o estímulo a investimentos privados e a realização de uma cúpula dedicada ao financiamento de energia sustentável.
A preocupação é imediata. Desde o início do conflito envolvendo Estados Unidos , Israel e Irã, a União Europeia já desembolsou 24 bilhões de euros adicionais na aquisição de combustíveis fósseis, segundo estimativas da Comissão.
Ao apresentar o plano, o comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen, alertou para impactos duradouros. “Teremos meses muito difíceis pela frente, talvez anos. Mesmo no melhor cenário possível, a situação ainda é ruim”, afirmou.
Um dos segmentos mais afetados pela alta dos combustíveis é o setor aéreo. Nesta semana, a Lufthansa informou a suspensão de 20 mil voos de curta distância.
Para evitar falta de abastecimento, a Comissão Europeia pretende coordenar a distribuição de combustíveis e assegurar o fornecimento em aeroportos de todas as regiões do bloco, com uso de fontes alternativas ainda não detalhadas.
Também está prevista a criação de um Observatório dos Combustíveis, responsável por acompanhar produção, importações, exportações e níveis de estoques estratégicos. A proposta busca agilizar uma eventual liberação de reservas emergenciais.
No médio prazo, o bloco também avalia um plano de eletrificação para os setores de transporte, indústria e construção, como parte do esforço para diminuir a dependência de combustíveis fósseis.
Além da questão energética, a cúpula no Chipre deve avançar na liberação do pacote de 90 bilhões de euros em ajuda à Ucrânia. Zelensky participa do encontro por videoconferência e deve discursar na abertura das discussões.