O governo alemão estabeleceu uma regra inédita que limita a permanência de cidadãos do sexo masculino fora do país em tempos de paz. Homens entre 17 e 45 anos passam a precisar de autorização do Ministério da Defesa caso queiram ficar no exterior por mais de três meses. A medida integra a Lei de Modernização do Serviço Militar, válida desde o início de janeiro, mas só ganhou atenção do público após reportagens divulgadas pela imprensa local na última semana.

A administração do chanceler Friedrich Merz tenta reforçar a capacidade militar do país. Segundo o Ministério da Defesa, o sistema de registro deve ser “confiável e eficaz” para identificar quem está fora do território nacional em situações de emergência. A iniciativa retoma práticas mais rígidas que marcaram o período da Guerra Fria, quando o controle de reservistas era tratado como prioridade absoluta.

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Bandeira da Alemanha

A legislação também prevê ampliar o efetivo das forças armadas, passando dos atuais 180 mil para 260 mil soldados até 2035. Merz já declarou a intenção de tornar o exército alemão o mais forte da Europa. O governo defende o aumento dos investimentos e as novas restrições como resposta direta às ameaças vindas da Rússia e à instabilidade provocada pela guerra na Ucrânia.

Desde janeiro, o país adota um modelo de serviço militar voluntário. Jovens de 18 anos precisam informar se desejam ingressar nas forças armadas. A partir de uma nova fase prevista para julho de 2027, esses cidadãos também serão submetidos a testes físicos obrigatórios. A meta é mapear quem tem condições de atuar em um eventual conflito, embora as mulheres continuem dispensadas de qualquer exigência constitucional.

O reforço do controle estatal sobre deslocamentos já provoca reação entre os jovens. Pelas redes sociais, manifestantes organizam protestos contra um treinamento que classificam como focado em “ordem e obediência”. Até agora, o governo não esclareceu quais sanções serão aplicadas a quem descumprir a exigência e viajar sem a devida autorização militar.

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