A alta dos combustíveis provocada pela guerra e pela instabilidade no Oriente Médio já começa a impactar o setor aéreo brasileiro. O Grupo Abra, controlador das companhias aéreas Gol e Avianca, estima que as passagens poderão ficar até 20% mais caras até o fim deste ano para compensar o aumento no preço do querosene de aviação (QAV).

A informação foi divulgada pelo CEO do grupo, Adrian Neuhauser, durante teleconferência com analistas. Segundo ele, a expectativa da empresa é conseguir repassar integralmente os custos adicionais do combustível para as tarifas até o final de 2026. “Esperamos atingir 100% de repasse da alta do combustível às tarifas até o fim do ano, mas, na média do período, a recuperação deve ficar em torno de 60%”, afirmou o executivo.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Avião da Gol

De acordo com Neuhauser, o aumento ainda não foi totalmente transferido para o consumidor porque muitas passagens foram vendidas antes da disparada nos preços dos combustíveis. Além disso, a empresa avalia possíveis impactos na ocupação dos voos diante do encarecimento das tarifas.

Guerra no Oriente Médio reflete no mercado global

A tensão internacional envolvendo países do Oriente Médio elevou o preço do petróleo no mercado global, o que acabou refletindo diretamente nos combustíveis derivados, como gasolina, diesel e querosene de aviação. O cenário gera preocupação principalmente para setores que dependem do combustível, como aviação e transporte rodoviário.

Segundo o CEO do Grupo Abra, a estimativa leva em consideração a diferença entre os preços praticados antes do conflito e os atuais valores do combustível, aplicados sobre um consumo mensal de cerca de 70 milhões de galões ao longo de dez meses. “A parcela não recuperada via tarifas acaba pressionando o caixa, embora parte desse efeito seja compensada pelas operações de hedge de combustível”, completou.

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