O governo do Irã afirmou nesta quarta-feira (6) que o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz deve voltar a operar sob condições “seguras e estáveis”, após a escalada de tensões registrada nos últimos dias com os Estados Unidos.
A declaração foi feita pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que indicou uma redução das ameaças na região, considerada estratégica por concentrar uma das principais rotas globais de exportação de petróleo.
“Com o fim das ameaças dos agressores e à luz de novos procedimentos, será possibilitada uma passagem segura e estável pelo estreito”, afirmou a força militar iraniana.
Escalada da tensão
O anúncio ocorre um dia após um novo episódio de tensão entre Teerã e Washington. O Irã acusou os Estados Unidos de violarem um cessar-fogo ao atacarem embarcações iranianas na região.
Autoridades americanas afirmaram que sete lanchas foram destruídas, sob a justificativa de que representavam ameaça a navios comerciais.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, chegou a afirmar que o bloqueio no estreito poderia ser mantido e sinalizou possibilidade de intensificação da resposta.
“Sabemos que a continuidade do atual cenário é insuportável para os EUA, e nós nem começamos ainda”, disse em publicação.
Negociações e possível acordo
Apesar da crise, há sinais de avanço diplomático. O portal Axios informou que representantes dos dois países discutem um possível acordo para encerrar as hostilidades.
Entre os pontos em negociação estariam uma moratória do Irã no enriquecimento de urânio, a suspensão de sanções econômicas impostas pelos EUA, a liberação de ativos iranianos bloqueados e a flexibilização das restrições ao tráfego no Estreito de Ormuz.
Apesar disso, restrições a embarcações iranianas ainda seguem em vigor. Já a operação de escolta a navios comerciais na região foi suspensa temporariamente para avaliar os desdobramentos das tratativas.
Parte dessas medidas dependeria da assinatura de um acordo definitivo.
*Com colaboração de Isaac Silva